Membro do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular

Fibrilhação auricular: uma música descompassada

A fibrilhação auricular é o nome dado a uma das arritmias cardíacas mais comuns no mundo. Compara-se a ouvir uma música constantemente fora do tempo: os disparos elétricos que fazem contrair o coração deixam de ser ritmados e passam a ser imprevisíveis, levando a que a contração cardíaca seja ineficaz e, consequentemente, o sangue fique estagnado dentro destas cavidades cardíacas, com o risco de formação de trombos.

O risco de desenvolvimento desta arritmia aumenta com o aumento da idade, sendo mais frequente nos homens. É também muito importante controlar e tentar evitar o aparecimento de algumas doenças como a diabetes mellitus, a hipertensão arterial, a insuficiência cardíaca, a obesidade e a doença renal crónica (mais conhecida como insuficiência renal), pois são fatores de risco para a fibrilhação auricular.

Esta doença tem um grande impacto para a saúde quer no que toca aos custos que gera, mas acima de tudo à incapacidade que lhe está associada: o risco de desenvolvimento de acidentes vasculares cerebrais (AVC – vulgo “tromboses”), com todas as sequelas que deles advêm, ou de insuficiência cardíaca, ambas implicando com a qualidade de vida dos doentes e com um aumento na mortalidade. A gestão desta doença deve ser multidisciplinar e holística, com boa comunicação entre médicos de Medicina Geral e Familiar, Internistas, Cardiologistas, Neurologistas e por vezes Cirurgiões Cardíacos.

Muitas vezes, esta doença é assintomática, apenas dando o primeiro sinal num período de agudização em que a pessoa sente palpitações (o coração acelerado), dispneia (falta de ar) podendo ter tonturas ou até mesmo desmaios e dor no peito. Outras vezes só é diagnosticada quando a pessoa surge no hospital com um AVC isquémico. É por isso importante a realização esporádica de um electrocardiograma em doentes de risco.

Após o diagnóstico da doença, existem vários tratamentos disponíveis. Para evitar a coagulação do sangue, está preconizado o uso de anticoagulantes orais, sendo os Novos Anticoagulantes Orais (NOAC) os mais prescritos pela sua facilidade de toma e gestão. Nalguns casos, pelo risco de sangrar e impossibilidade de tomar estes medicamentos, podem ser necessários tratamentos hospitalares. Muitas vezes os doentes precisam também de medicamentos para desacelerar o coração.

Tão importante como a medicação, é a evicção de comportamentos de risco como o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas ou de drogas, o stress, o sedentarismo, a incorreta toma de medicação ou o excessivo consumo de cafeína.

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