22 Fev, 2022

Faculdade de Medicina do Porto quer reaproveitar fármacos para tratamento do cancro

Já foi “submetida uma proposta de ensaio clínico com o IPO do Porto”, diz o líder da investigação, Nuno Vale.

<i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Faculdade de Medicina do Porto quer reaproveitar fármacos para tratamento do cancro

A primeira Cátedra Convidada de Inovação em Oncologia em Portugal tem suporte no OncoPharma, um grupo de investigação liderado pelo investigador Nuno Vale que está focado no reaproveitamento de fármacos para um tratamento dirigido ao cancro. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Janssen em 330 mil euros, avança o Jornal de Notícias.

Segundo explica o líder do grupo de investigação em Farmacoterapia Oncológica do CINTESIS/FMUP, o trabalho assenta no reaproveitamento de fármacos, usados originalmente para tratar outras condições, no tratamento do cancro.

“Comparamos um fármaco de referência em Oncologia com um fármaco para outra terapêutica, por exemplo, um antiviral, para percebermos o efeito desses fármacos combinados” e, posteriormente, testar esse efeito “em células modelo de cancro, de vários tipos”, acrescenta Nuno Vale.

Caso se confirme a sua eficácia em ensaios clínicos futuros, as mais-valias são várias, garante o investigador. “Permite baixar os custos nos estudos clínicos, acelerar o processo e chegar a um maior número de pessoas”, bem como “aumenta a eficácia – a morte de células tumorais – em 60% a 70%”.

Como “a ideia é fazer o estudo completo” e “não só parar na bancada”, já foi “submetida à Comissão de Ética uma proposta de ensaio clínico com o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto para começar com cerca de 500 doentes”. Decorrendo no âmbito de um doutoramento, a Cátedra engloba sempre “estudos pré-clínicos, clínicos e translação”, confirma o líder do estudo.

Neste sentido, o estudo de simulação, que assenta num software utilizado pela agência norte-americana do medicamento, FDA, “com dados de farmacologia e também fisiológicos, permite ajudar a dose antes de chegarmos ao animal”, o que permite “sacrificar menos animais nos estudos pré-clínicos”.

“Permite realizar estudos de população, de monitorização de dose e de feitos adversos, permitindo otimizar as doses, escolher melhor os doentes e alargar os estudos a um maior número de pacientes, o que é ótimo na Oncologia para avançar em muitos tratamentos”, conclui Nuno Vale.

SO

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