9 Set, 2020

Escola de Enfermagem do Porto organiza simpósio sobre segurança na saúde

Com o lema "Profissionais de saúde seguros, doentes seguros", simpósio irá tratar temas como desafios da globalização, gestão de lares e segurança na investigação.

A Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP) recebe na próxima semana um simpósio internacional sobre a segurança dos doentes, numa altura em que os especialistas anteveem um agravamento da Covid-19.

O simpósio irá assinalar o Dia Mundial da Segurança do Doente, a 17 de setembro, tendo como tema “Profissionais de saúde seguros, doentes seguros”, o lema proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde tópicos como os desafios que se colocam à saúde devido à globalização, o registo eletrónico em saúde, a segurança na investigação e as questões éticas, até à gestão de multivítimas no serviço de urgência e à questão dos lares, o simpósio irá abordar também alguns aspetos relacionados com a Covid-19.

A iniciativa irá decorrer das 9h às 18h em formato digital. O webinar conta com a participação de Valter Fonseca, em representação da DGS, e com testemunhos de vários profissionais de saúde que exercem no estrangeiro e que na sessão vão partilhar as suas experiências profissionais.

Em declarações à Lusa, Paulo Marques, docente da ESEP e um dos responsáveis pela iniciativa, afirmou que tal testemunho será fundamental, especialmente, para a discussão em torno dos lares, “temática tão problemática no nosso país e uma situação tabu”.

“Acho que estava no tempo de debatermos o conceito do lar que temos, se queremos evoluir para outro tipo de conceito como os nursing home, conceito instituído nos países anglo-saxónicos”, referiu, acrescentando que a iniciativa permitirá ainda perceber “o que está feito e o que se pode fazer para melhorar nos diferentes níveis de responsabilidade”

Quanto à pandemia, o enfermeiro desde 1987, acredita que tanto os profissionais de saúde como os docentes estão “mais seguros agora do que no início da pandemia” e “preparados” para uma eventual segunda vaga ou agravamento da covid-19. “É uma resposta que em termos absolutos não podemos dar, mas estou plenamente convencido de que estamos muito mais preparados porque houve uma aprendizagem. A segurança está muito mais garantida agora do que o início da pandemia”, reiterou.

Não obstante, mostrou-se preocupado com a utilização dos equipamentos de proteção “mais básicos”, as máscaras. De acordo com a explicação do docente da ESEP, “a Direção-Geral de Saúde (DGS) fez uma norma onde diz, relativamente aos profissionais de saúde e à utilização de máscara cirurgia, que a mesma deve ser usada entre quatro e seis horas e depois substituída. A maior parte dos profissionais faz turnos de sete horas e outros de 10 horas e há instituições que dizem para não utilizar mais do que uma máscara, a não ser que seja estritamente necessário”.

Para Paulo Marques, uma eventual contenção destes materiais de proteção individual é “bastante preocupante”, não só porque “põe em causa” os próprios profissionais de saúde, como os doentes, principalmente quando os especialistas anteveem um agravamento da Covid-19 na época de outono e inverno.

Lusa/SO

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