10 Fev, 2020

“É a chave”. SNS vai ter mais 40 centros de gestão com incentivos

Centros de Responsabilidade Integrada (CRI) permitem aumentar cirurgias e consultas mas só funcionam em cinco hospitais. Ministério tem 100 milhões para os CRI em 2020.

É uma aposta com muito potencial e que pode vir a assumir um carácter decisivo na diminuição das listas de espera para cirurgia e consultas e na retenção de profissionais no SNS. Vão ser criados mais 40 Centros de Responsabilidade Integrada (CRI), que, a juntar aos 17 que já existem, elevam para 57 o número de CRI no SNS, avança o jornal Público.

Apesar de já estarem em funcionamento 17 CRI, apenas 5 instituições de saúde têm este modelo implantado. O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia Espinho tinha seis: cirurgia plástica, urologia, neurocirurgia, otorrinolaringologia, radiologia de intervenção. Já o Centro de Reabilitação do Norte e o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra têm três cada (oftalmologia, psiquiatria, cirurgia cardíaca). O Hospital de Évora tem CRI de cirurgia oncológica, cardiologia e o obesidade.

Mais recentemente, também o Hospital de São João criou um CRI na área da obesidade. Em declarações à Lusa, o responsável pelo CRI do São João referiu que o modelo permitiu aumentar o número de primeiras consultas de obesidade (de 400 para 1600) e também melhorar “a gestão, o acesso e os tempos de resposta”.

O Ministério da Saúde prevê que este ano se criem mais 40 CRI. Entre os hospitais que já trabalham nesse sentido estão os Centros hospitalares de Trás os Montes e Alto Douro, Setúbal, Oeste e Barreiro-Montijo e as Unidades de Saúde Locais da Guarda, Castelo Branco e Alto Minho.

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, acredita que os CRI são um “instrumento chave” para reter os melhores profissionais no SNS. As equipas que fazem parte destes centros trabalham com autonomia de gestão e recebem incentivos de acordo com os resultados e com a atividade assistencial que realizaram para lá do horário normal de trabalho. Os objetivos são definidos pelos profissionais, o que lhes aumenta a motivação.

Para além de definirem o horário, têm de gerir as férias e a ausência dos colegas, num modelo de organização próprio que é formalizado através de um contrato assinado com o conselho de administração do hospital. O contrato é revisto a cada 3 anos.

O Ministério da Saúde garante ter 100 milhões de euros alocados “em 2020 para a operacionalização de modelos de pagamento pelo desempenho para o trabalho hospitalar em CRI”.

TC/SO

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