9 Abr, 2025

DPOC. Médicos e doentes querem atualização do Plano Nacional de Doenças Respiratórias para combater subdiagnóstico e subtratamento

Para alertar para o subdiagnóstico e subtratamento da DPOC, a Associação RESPIRA, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), o Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da APMGF e a Sociedade Portuguesa de Pneumologia subscrevem um White Paper, que apela a mudanças urgentes.

DPOC. Médicos e doentes querem atualização do Plano Nacional de Doenças Respiratórias para combater subdiagnóstico e subtratamento

“Temos de começar a olhar para a DPOC enquanto problema de saúde pública, que impacta a vida de milhões de pessoas e ameaça a sustentabilidade do sistema de saúde”, refere, em comunicado, José Albino, presidente da RESPIRA. “Não só precisamos de uma atualização do Plano Nacional das Doenças Respiratórias, como este deve ter um foco claro na DPOC, algo que terá um impacto enorme na qualidade de vida dos doentes. E diminuindo o número de hospitalizações e complicações graves, estaremos também a reduzir os custos em saúde”, acrescenta.

Em Portugal, as barreiras financeiras, a distância geográfica e as longas listas de espera contribuem para 40% de casos não resolvidos de DPOC, uma das maiores taxas na Europa, de acordo com o COPD Research and Global Ranking – COPD Index.

A estes obstáculos há ainda a dificuldade em se aceder à espirometria, “a que muitos médicos de Medicina Geral e Familiar não têm acesso direto, nem sabem para onde referenciar os doentes”. Faltam ainda consultas de cessação tabágica acessíveis a todos, programas de reabilitação respiratória, uma referenciação rápida para consultas de especialidade e informação para os doentes, “muitos dos quais incapazes de reconhecer os sintomas da DPOC como algo preocupante, o que contribui para atrasos no diagnóstico e no início do tratamento”.

Face a estes constrangimentos, identificados no White Paper, redigido na sequência do Fórum Saúde Respiratória 2025, médicos e doentes apelam à “urgência” de se atualizar o Plano Nacional das Doenças Respiratórias, com foco na DPOC.

A doença é a 3.ª principal causa de morte no mundo e a 5.ª, em Portugal. Segundo os dados de um estudo realizado em 2016, existem cerca de 800 mil portugueses com DPOC, estimando-se que a população afetada aumente, substancialmente, até 2050. Tal estimativa tem por base o envelhecimento da população, as alterações climáticas e outros fatores ambientais. “A DPOC é ainda responsável por um peso substancial para o sistema de saúde e a economia  nacional, com um impacto económico estimado em mais de 3 mil milhões de euros por ano no nosso país”, segundo o responsável da RESPIRA.

De acordo com as organizações signatárias do documento, o atual Plano Nacional das Doenças Respiratórias, que data de 2017, encontra-se desatualizado e não inclui de forma adequada a DPOC. “Carece de estratégias específicas para a DPOC, assim como de políticas de controlo do tabaco e diretrizes respiratórias implementadas de forma inconsistente.”

As organizações envolvidas neste White Paper apelam, assim, ao desenvolvimento de uma Estratégia Nacional para a DPOC, com um subplano, dentro do Plano Nacional, que inclua as questões da prevenção, tratamento, acesso aos exames necessários, a gestão das exacerbações, a definição de critérios de referenciação, desenvolvimento de materiais educativos, expansão do acesso à reabilitação respiratória e a criação de um registo nacional da DPOC para caracterizar a população de doentes. Há ainda a necessidade de uma recolha de dados que permita analisar a taxa de exacerbações, os níveis de adesão à terapêutica e outros resultados, como os indicadores de desempenho dos serviços de saúde.

LUSA

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