23 Mai, 2018,

Dois dias antes de morrer, Arnaut deixou um pedido ao primeiro ministro: “Ó Costa, aguenta lá o SNS”

O pedido foi feito por telefone quando António Costa procurava saber se o 'pai' do Serviço Nacional de Saúde poderia estar presente no Congresso do PS, que se realiza no próximo fim de semana, na Batalha.

Dois dias antes de morrer, Arnaut deixou um pedido ao primeiro ministro: “Ó Costa, aguenta lá o SNS”

O primeiro-ministro recordou ontem a conversa que teve com António Arnaut no sábado, em que este lhe pedia para aguentar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), pedido que António Costa diz ser uma responsabilidade sua e do país.

“Ó Costa, aguenta lá o SNS”, disse António Arnaut ao primeiro-ministro, no sábado, quando António Costa procurava saber se o ‘pai’ do Serviço Nacional de Saúde poderia estar presente no Congresso do PS, que se realiza no próximo fim de semana, na Batalha, Leiria.

Segundo o primeiro-ministro, António Arnaut informou-o de que estava internado e que, se calhar, não poderia estar presente no congresso, mas que falaria a meio da semana com o secretário-geral do PS para saber se poderia mandar uma mensagem.

No telefonema, a despedir-se, o cofundador do Partido Socialista pediu a António Costa para aguentar o SNS.

“E sim, meu caro António Arnaut, vamos aguentar o SNS, nesta geração e nas próximas gerações porque o SNS veio para ficar e é, seguramente, uma das grandes marcas e grandes dádivas do Portugal de Abril”, vincou o primeiro-ministro, que discursava durante as cerimónias fúnebres.

Para o líder do Governo e do Partido Socialista, António Arnaut deixou “um filho” que tem de ser cuidado e que irá perdurar “além da nossa própria existência e da existência de António Arnaut, o SNS”.

António Costa assume o pedido que Arnaut lhe deixou no sábado como uma responsabilidade sua, enquanto líder do Governo, mas também como “uma responsabilidade coletiva” e “uma vontade coletiva”.

“Muito obrigado, António Arnaut”, concluiu António Costa.

Os discursos do primeiro-ministro e do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, foram entrecortados por momentos musicais da Orquestra Clássica do Centro, na antiga igreja do Convento São Francisco, espaço onde foi apresentado este ano o livro que António Arnaut escreveu com o médico bloquista João Semedo, onde apresentava propostas para uma nova Lei de Bases da Saúde.

LUSA

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