10 Abr, 2018

Crianças fazem quimioterapia nos corredores do hospital de São João

No ambulatório, a quimioterapia pediátrica é feita em corredores mas a situação na unidade de internamento não é melhor. Pais queixam-se da falta de condições - que o presidente do São João diz serem miseráveis. Verba para a construção da nova ala pediátrica está bloqueada pelas Finanças.

A quimioterapia pediátrica em ambulatório – que abrange as crianças que não precisam de ficar internadas – está a ser feita nos corredores do Hospital de São João, no Porto, avança o Jornal de Notícias. A situação tem sido denunciada pelos pais, que se queixam também da falta de condições da unidade do Joãozinho, onde é feito o internamento pediátrico, e que funciona há mais de dez anos em contentores.

O jornal lembra que a construção da nova ala pediátrica do Hospital de S. João está parada há cerca de dois anos. No mês passado o Ministério da Saúde garantia que os 22 milhões de euros disponibilizados pelo Governo já tinham sido transferidos, aguardando apenas a autorização do Ministério das Finanças. A garantia tinha sido dada pelo secretário de Estado Fernando Araújo já depois de a administração ter admitido que o bloqueio das Finanças colocava a pediatria em situação de rutura.

O JN questionou o Ministério da Saúde a Administração Regional de Saúde do Norte sobre se a verba já tinha sido disponibilizada mas estas entidades não prestaram declarações. Já a administração do hospital apenas adiantou que o São João tem tido melhorias.

Assim, perante a falta de respostas e incentivados pelos próprios profissionais de saúde, os pais decidiram denunciar o problema. Três deles relatam situações em que, depois de receberem o tratamento, as crianças “têm de partilhar os elevadores com os carrinhos do lixo” e que quando é preciso internamento têm de esperar durante várias horas, “sem condições higiénicas”, por uma ambulância que as transporte do edifício central para o Joãozinho. No internamento, uma mãe garante os quartos de isolamento têm buracos nas paredes, entra frio através das janelas e não há sequer cortinas para conter a luz.

Entretanto, o presidente do Hospital de São João, no Porto, admitiu hoje que as condições do atendimento pediátrico são “indignas” e “miseráveis”, lamentando que a verba para a construção da nova unidade ainda não tenha sido desbloqueada. “Há um protocolo assinado, temos um projeto pronto para entrar em execução e não temos o dinheiro libertado que torne possível a execução desse projeto”, afirmou António Oliveira e Silva.

O responsável disse que as obras que não dependem dessa verba têm vindo a ser realizadas, nomeadamente o novo centro ambulatório para a pediatria que fica disponível a partir de 15 de junho.

SaúdeOnline/ LUSA

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