24 Ago, 2020

Covid-19 faz cair despesa com fármacos nos hospitais

Até maio, foram gastos 560 milhões de euros, menos 0,5% do que no mesmo período de 2019. A trajetória pouco comum deve-se à redução de internamentos, cirurgias e urgências.

Nos primeiros cinco meses deste ano, foi gasto pelos hospitais públicos 560 milhões de euros com medicamentos, o que implica uma redução de 0,5% face ao mesmo período de 2019, avança o Jornal de Notícias. Nesse ano, a fatura total com medicamentos do SNS cresceu 29 milhões de euros face ao ano anterior, uma tendência que se verifica há anos devido ao aumento da atividade.

O mesmo aumento não se verificou de janeiro a maio deste ano. Segundo o último relatório de monitorização do consumo de medicamentos em meio hospitalar, do Infarmed, a despesa começa a descer em março, altura em que o país entrou em confinamento. Essa altura foi também assinalada por um declínio da atividade nos hospitais, que restringiram cirurgias, consultas, exames e internamentos ao mínimo, de forma a conseguirem dar resposta aos doentes Covid-19.

De acordo com o mesmo relatório, é no internamento, no bloco operatório, urgência e na realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica que o consumo de medicamentos caiu. No internamento houve uma redução de 17,9%, uma redução de 18,5% no bloco operatório e uma redução de 22,3% na cirurgia de ambulatório. Já nos exames complementares gastou-se menos 19,4% com medicamentos e na urgência a diminuição foi de 20,2%.

 

Despesa de Lisboa e Vale do Tejo subiu

 

Esta quebra na despesa de medicamentos verificou-se, de forma acentuada, nos hospitais do Algarve, com uma redução de 18,5% face ao mesmo período de 2019 e nos hospitais do Norte, com uma redução de 1,5%. Já nos hospitais da zona de Lisboa e Vale do Tejo, a despesa subiu 1,7%.

Os medicamentos para o cancro e para o VIH representaram quase metade do total da despesa durante estes meses (32% os oncológicos e 14% os do VIH). Nos fármacos para o cancro, a despesa aumento quase 12 milhões de euros e nos do VIH a despesa cresceu 450 mil euros. Estes números podem ser indicadores da continuidade dos cuidados destas áreas nos meses mais críticos da pandemia.

O maior aumento da despesa em medicamentos foi registado nos IPO, com os custos dos hospitais gerais a recuarem 1,5%. Já a despesa com medicamentos órfãos (doenças raras) aumentou 6,7 milhões de euros de janeiro a maio, face ao período homólogo de 2019, num total de 14% da despesa total com fármacos em meio hospitalar.

AR/JN

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