Até ao final de outubro, a Europacolon Portugal estará a promover em 63 farmácias por todo o país um rastreio gratuito ao cancro do intestino. O objetivo é diminuir os atrasos de novos diagnósticos provocados pela pandemia de covid-19.

Em declarações à Lusa, o presidente da Europacolon Portugal – Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, Vítor Neves, que já se tinha pronunciado no início do mês em relação a esta questão afirmando que adiar diagnósticos é “favorecer sobrevivência mais curta”, vem reforçar que o “cancro do intestino é uma doença gravíssima”.

Este “problema de saúde pública” que já existe “há muitos anos em Portugal” continua a crescer “todos os anos”, afirma o responsável. Acrescenta ainda que o número de novos casos, que tinham aumentado em 2019, neste ano aumentou “muito”, “infelizmente por outras razões”, aludindo à pandemia de covid-19.

Face ao “atraso sistemático” dos vários governos em lançar um rastreio de base populacional ao cancro colorretal – aquele com o “melhor custo-benefício”, a Europacolon foi “acolhendo algumas iniciativas” para minimizar o impacto destes atrasos.

Entre elas a pesquisa de sangue oculto nas fezes, rastreio feito na maioria dos países europeus. Apesar de ter  um “grande inconveniente técnico” – 50% dos testes negativos são falsos -, pelo que “não é tão eficaz como a colonoscopia e deve ser repetido todos os anos”, este rastreio é “uma forma de dizer às pessoas que é possível fazer o rastreio de uma forma fácil e até muito barata” e, se o resultado for positivo, as pessoas têm de fazer uma colonoscopia nas três semanas seguintes obrigatoriamente.

O rastreio destina-se a pessoas a partir dos 50 anos que apresentem sintomas como diarreias ou obstipação constantes, dor abdominal sem explicação, ou tenham identificado sangue nas fezes, emagrecimento e/ou cansaço sem motivo aparente.

De acordo com Vítor Neves, esta iniciativa, que “não tem custos” para a associação nem para os utentes, “é uma forma de tentar justificar, motivar, sensibilizar os decisores em saúde que é fácil fazer rastreios e pouparmos milhares de vidas por ano aos portugueses, milhares de horas de sofrimento e milhões de custos” ao Estado e aos doentes.

Anualmente são realizados quase 2.000 testes no âmbito desta iniciativa e são encontrados “muitos casos positivos e infelizmente alguns confirmam-se que são tumores de cancro colorretal”, lamentou.

“Se houver uma política nacional que implemente um rastreio de base populacional ao cancro do intestino, os 10 mil casos por ano vão diminuir” e será possível uma deteção precoce, pelo que a retoma deste rastreio pelo Serviço Nacional de Saúde “é urgente”.

Segundo as estimativas da associação, 50 mil diagnósticos anuais de doenças oncológicas não se estão a realizar devido à pandemia de covid-19, o que coloca em causa não só o diagnóstico, mas também o tratamento de doentes.

Na Europa há cerca de 400.000 casos novos todos os anos e em Portugal, segundo dados de 2018 da Organização Mundial de Saúde, foram registados 10.092 novos casos, com 4.214 mortes.

LUSA/SO

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