28 Ago, 2020

Consultas presenciais nos centros de saúde caíram para metade em julho

Quebra foi mais acentuada na região Norte. Médicos criticam falta de recursos e procedimentos obsoletos. Por outro lado, consultas telefónicas duplicaram.

Em julho realizaram-se 940 mil consultas presenciais nos centros de saúde portugueses, o que representa uma descida de 47% em relação ao mesmo mês do ano passado, avança o Jornal de Notícias. São menos 819 mil consultas nos cuidados de saúde primários.

A região Norte foi a que teve a quebra mais acentuada. Os centros de saúde e USF da região fizeram menos 55% de consultas presenciais em relação ao período homólogo, segundo mostram os dados do Portal de Transparência do SNS. Lisboa e Vale do Tejo tive uma redução de 244 mil. O Algarve foi a região menos afetada, com menos 17 mil atendimentos.

Vários responsáveis apontam a falta de recursos humanos e físicos e as tarefas repetitivas consumidoras de tempo (como a de ligar todos os dias a doentes covid-19 assintomáticos) como fatores que contribuíram para estes números.

“Há assimetrias enormes, culpa das lideranças, da falta de recursos humanos e físicos”, sublinha, ao JN, Diogo Urjais, presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar, que lembra as dificuldades acrescidas trazidas pela pandemia, que obrigou a reorganizar horários e espaços.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar critica a plataforma Trace Covid. “Teve o seu interesse mas agora já não tem, muitos são assintomáticos, e temos de ligar todos os dias”, diz Rui Nogueira.

Por outro lado, as consultas por telefone quase duplicaram, chegando a 1,747 milhões em julho, incluindo os telefonemas diários de acompanhamento a casos de covid-19. Em julho até se realizaram mais 140 mil consultas em comparação com junho mas o balanço dos meses de maio, junho e julho é claramente negativo, com uma quebra de mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado.

TC/SO

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