12 Jul, 2022

Bom desempenho pode valer prémio anual de 35 mil euros aos administradores hospitalares

Serão analisados fatores como as listas de espera para cirurgias e consultas ou a despesa com pessoal. Médicos consideram ser "estranho" que os incentivos não os incluam.

Os administradores hospitalares do SNS que cumpram determinados objetivos e critérios relativos a indicadores de desempenho receberão um prémio que poderá atingir os 35 mil euros anuais, avança o Correio da Manhã.

A portaria, dos Ministérios da Saúde e das Finanças, que entrou em vigor a 1 de julho, estabelece que o montante a atribuir corresponderá a metade do valor bruto auferido a 14 meses, isto é, inclui os subsídios de férias e de Natal. Trata-se, diz o governo, de “uma remuneração variável associada ao reconhecimento e incentivo da boa gestão”.

Para a contabilização do valor a receber será analisado “o desempenho económico e financeiro da empresa, e o desempenho assistencial e a satisfação dos utentes”, incluindo vários aspetos, como as listas de espera, os tempos de demora para cirurgias e consultas ou a percentagem de ida às urgências e a despesa com pessoal.

Os administradores hospitalares aplaudem a iniciativa mas sublinham a necessidade de lhes ser atribuída maior autonomia de gestão. “Esperamos que estes incentivos sejam acompanhados de maior autonomia nas decisões dos gestores hospitalares”, disse, à CNN Portugal o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). Xavier Barreto critica, por exemplo, o facto de as contratações de médicos terem de ser aprovadas pela tutela. Também os investimentos nas unidades hospitalares superiores a 100 mil euros “obrigam sempre a um pedido de autorização”.

Já os representantes dos médicos criticam o facto de não se atribuir a mesma compensação a esta classe. “Os administradores fizeram um bom trabalho, até durante a pandemia, mas os médicos fizeram um trabalho notável, tendo salvado muitas vidas e não sentem qualquer reconhecimento”, diz o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães. “É estranho que se esteja a premiar profissionais de saúde e não se inclua os médicos”.

Também o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) critica a diferença de critério. “Era fundamental que os incentivos fossem também aplicados aos médicos”, afirma o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, acrescentando que os médicos não são “invejosos”. “Achamos muito bem que existam incentivos à boa gestão”.

SO

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