7 Set, 2021

Aumentam os relatos de baixos níveis de anticorpos após vacinação. Especialista desvaloriza

O virologista Pedro Simas desaconselha a realização de testes rápidos de medição de anticorpos para aferir a eficácia da vacinação e sublinha, ao SaúdeOnline, que não existe correlação entre o nível de anticorpos e a proteção contra a infeção por SARS-CoV-2.

Há cada vez mais relatos de portugueses que, após terem completado o processo de vacinação, fizeram testes laboratoriais para medir o nível de anticorpos contra a infeção por SARS-CoV-2 e foram surpreendidos com resultados indicando baixos níveis de anticorpos no sangue.

Perante os relatos, que têm chegado, cada vez em maior número, à redação do SaúdeOnline, conversámos com virologista Pedro Simas, que desvaloriza os resultados dos testes de anticorpos e sublinha que não existe uma correlação entre o nível de anticorpos e a proteção contra a infeção por SARS-CoV-2.

“Não aconselho as pessoas a monitorizarem o nível de anticorpos, uma vez que não existe uma correlação entre o nível de anticorpos e a proteção contra a infeção [por SARS-CoV-2]. O nível de proteção não depende exclusivamente dos anticorpos mas também da capacidade neutralizante dos anticorpos”, explica. Os anticorpos neutralizantes são aqueles que são capazes de bloquear (neutralizar) efetivamente a interação do vírus com a proteína Spike. Segundo explica o especialista, a presença destes anticorpos neutralizantes no sangue é o que define a capacidade de cada organismo bloquear a infeção.

Pedro Simas alerta que os testes de medição de anticorpos que estão, neste momento, acessíveis ao grande público são testes rápidos. Ou seja, estes testes medem anticorpos que a vacina pode não conferir e não detetam os anticorpos neutralizantes gerados pela vacina – aqueles que são efetivamente protetores contra a infeção -, nem medem o nível de imunidade celular, aquela que protege contra a doença grave, hospitalização e morte.

Já “os testes fidedignos usam uma técnica, denominada ELISA, (que se fazem, por exemplo, no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, INSA, ou no Instituto de Medicina Molecular, IMM) e que são utilizados para levar a cabo os estudos serológicos”, continua o especialista, em declarações ao SaúdeOnline.

Assim, os testes rápidos são menos fiáveis, sublinha o virologista e professor universitário. Deste modo, Pedro Simas, aconselha as pessoas que se deparem com um nível de anticorpos baixo a “não se preocuparem” e realça que as pessoas vacinadas “estão protegidas contra a doença grave mesmo com um nível de anticorpos baixo”.

TC/SO

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