8 Jun, 2018

Asma grave pode ser tratada com medicamento usado para eczema

Duas novas investigações reforçam a relação entre o eczema e a asma grave, demonstrando que um medicamento usado para tratar a condição dermatológica é eficaz no tratamento da doença respiratória.

O medicamento em questão é o Dupilumab, com o nome comercial Dupixent, que é um anti-inflamatório usado para o tratamento do eczema. Os estudos vão avaliar a eficácia deste fármaco no alívio dos sintomas da asma grave. Os resultados das duas investigações estão disponíveis na plataforma The New England Journal of Medicine.

O primeiro estudo, liderado pelo Dr. Mario Castro, professor de Pneumologia e Cuidados Médicos Críticos na Escola de Medicina da Universidade de Washington, reuniu 1902 indivíduos com níveis de asma de moderada a grave.

Os participantes foram divididos em 2 grupos,o que recebeu Dupilumab e o grupo do placebo. Dentro do primeiro grupo, os indivíduos também foram separados aleatoriamente, uns receberam uma dose elevada do fármaco e os outros uma dose mais pequena. Nem os médicos, nem os doentes sabiam se estavam ou não a usar o medicamento.

Os que tomaram Dupilumab viram os seus sintomas reduzidos e tiveram melhor resultados nos testes de função pulmonar. Relativamente a visitas de emergência médica, apenas 3.5% dos participantes deste grupo necessitou de as fazer, comparativamente a 6.5% do grupo do placebo.

Não se verificaram diferenças entre os grupos de diferentes doses de Dupilumab.

O segundo estudo, em que o Dr. Castro também foi co-autor, foi liderado pelo Dr. Klaus F. Rabe, professor de Medicina Pneumológica na Universidade de Kiel, na Alemanha.

Nesta investigação foram reunidos 210 participantes com asma grave que usavam a mesma variedade de inaladores para controlar a doença, assim como esteroides orais, fármacos que podem ser usados por doentes com asma durante anos. Durante 24 semanas, foram convidados a tomar ou Dupilumab, como medicamento adicional, ou placebos.

Metade dos pacientes que receberam Dupilumab, tinham deixado os esteroides por completo e 80% reduziram para metade.

“Estou entusiasmado com o potencial do Dupilumab porque tenho muitos pacientes que tentaram diferente terapias e ainda não conseguem respirar. Pode-se tornar numa doença muito debilitante”, afirma o Dr. Mario Castro, citado pelo site Medical News Today.

O especialista destacou o facto deste fármaco não só ter reduzido os sintomas, mas também melhorar a capacidade respiratória dos doentes. “É importante porque estes pacientes têm uma doença crónica debilitante que piora com o tempo com a perda de função pulmonar. Até agora não temos um medicamento para asma que altere o curso da doença”, sublinha.

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