Apostar na vacinação dos adultos poderá poupar mais de 200 milhões de euros
Um conjunto de peritos defende a inclusão de mais vacinas para adultos no Plano Nacional de Vacinação, evitando-se que se gaste 245 milhões de euros em hospitalizações ou na perda de produtividade.

“Junção de vacinas para a gripe, herpes zoster, vírus sincicial respiratório (VSR), doença pneumocócica e vírus do papiloma humano (HPV) podem representar uma poupança significativa para o orçamento de estado, considerando as consequências de saúde, sociais e económicas que estas doenças representam.”
A conclusão é da análise “O impacto económico e social inerente às doenças preveníveis por vacinação no adulto” da Escola Nacional de Saúde Pública, que vai ser apresentada hoje.
Francisco George, presidente da Sociedade Portuguesa de Saúde Pública e chairman do projeto +Longevidade, foi um dos participantes na análise e diz que, face ao envelhecimento da população, é preciso atualizar o PNV. “Em países muito semelhantes ao nosso, como França e Espanha, existe uma estratégia clara para a vacinação do adulto”.
“É fundamental” por isso, acrescenta, “reconhecermos que o contexto de envelhecimento crescente em Portugal traz consigo um maior risco de perda de anos de vida saudáveis, que pode e dever ser combatido com o reforço do calendário de vacinação no adulto, através da inclusão de outras soluções vacinais capazes de reduzir o impacto destas patologias na saúde da população e na resposta e disponibilidade do sistema de saúde”.
Atualmente, o Programa Nacional de Vacinação tem 12 vacinas, das quais 11 são dirigidas a crianças e apenas 3 – covid-19, tétano e difteria (Td), e tétano, difteria e tosse convulsa (Tdpa) – são destinadas à população adulta.
De acordo com a análise, estima-se que em Portugal sejam gastos mais de 245 milhões de euros com custos de hospitalização, ambulatório e perdas de produtividade associados à gripe, ao herpes zoster, ao vírus sincicial respiratório (VSR), à doença pneumocócica e ao vírus do papiloma humano (HPV). Para Luís Filipe Pereira, economista, ex-Ministro da Saúde e um dos especialistas participantes na análise, apela à criação de um calendário de vacinação para a população adulta, que deve passar primeiro por uma decisão técnica e depois para uma decisão política”.
Para o economista, “prevenir será sempre mais importante do que tratar e, neste campo, a vacinação cumpre um papel muito importante”.
O estudo surgiu no âmbito do projeto +Longevidade, um think thank dedicado à vacinação no adulto e que é coordenado pelo laboratório de investigação NOVA Center for Global Health da NOVA Information Management School (NOVA IMS).
O objetivo foi quantificar o impacto económico para o sistema de saúde e para a sociedade decorrentes de infeção, em idade adulta, provocadas por um conjunto de doenças para as quais existem vacinas disponíveis.
Na falta de evidência recente para o contexto nacional, foi feita uma estimativa baseada na extrapolação direta dos custos quantificados em vários países da UE (Itália, França, Bélgica, Espanha), assumindo uma proporcionalidade da despesa em saúde.
MJG
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