De acordo com com o Prof. Vítor Tedim Cruz, membro da direção da SPAVC, e Cláudia Queiroga, coordenadora da “Angels” no nosso país, 50 hospitais portugueses aderiram à iniciativa.

 

O que é a “Angels Initiative” e quais são os seus objetivos primordiais?

Prof. Vítor Tedim Cruz – Esta é uma iniciativa à escala global, que visa reduzir o impacto de um acidente vascular cerebral na população, tanto na mortalidade como na morbilidade. Para atingir este objetivo o projeto procura melhorar o acesso e a qualidade dos hospitais onde são tratados os doentes com AVC. As intervenções alvo são realizadas sobretudo ao nível do ensino e treino das equipas no terreno, para que todas as condições e recursos disponíveis possam ser mobilizados na hora certa.

A premissa do projeto Angels assenta na visão que a ESO tem de que todos os doentes de AVC deverão receber o mesmo nível de tratamento independentemente de onde vivem na Europa. A iniciativa “Angels” é oficialmente apoiada pela ESO, uma vez que partilha dois objetivos primordiais: primeiro, aumentar o número de hospitais preparados para o doente com AVC, para garantir a acessibilidade ao cuidado especializado necessário nesses casos ao maior número de doentes; segundo, otimizar a qualidade de tratamento oferecido pelas equipas de AVC já existentes.

 

A “Angels Initiative Portugal” teve início em 2016. Que balanço faz destes quatro anos?

Prof. Vítor Tedim Cruz – Em Portugal esta iniciativa tem conseguido formar e treinar um número muito grande de profissionais de saúde e equipas, tanto no setor hospitalar como pré-hospitalar. Tem fomentado um espírito de partilha de boas práticas e experiências bem sucedidas entre diferentes regiões e equipas.

 

Quantos hospitais portugueses aderiram à iniciativa? E na Europa?

Cláudia Queiroga – O balanço é muito positivo. Atualmente existem mais de 50 hospitais e 800 profissionais de saúde registados na Iniciativa, podendo usufruir de todos os materiais de forma didática, gratuitamente.

As atividades realizadas desde 2016 incluem as várias fases da cadeia de tratamento ao doente com AVC, envolvendo a formação de equipas multidisciplinares dentro e fora do hospital. Até ao momento, mais de 2600 pessoas tiveram algum momento de formação relacionado com o projeto.

Nas atividades desenvolvidas é de realçar as simulações Via Verde AVC como momento crucial de diagnóstico da situação de cada equipa AVC, mas também como ponto de partida para um plano de ação focado na implementação de melhorias adaptadas ao contexto local.

Adicionalmente, o impacto da Iniciativa Angels em Portugal traduz-se no aumento de hospitais que oferecem tratamentos na fase hiperaguda; na redução da quantidade de tempo até que os doentes com AVC iniciem um tratamento nesta fase e, por último, hospitais que aumentaram a quantidade de doentes tratados com terapias de fase hiperaguda.

A Iniciativa Angels é internacional, contando com quase 3800 hospitais por todo o mundo, dos quais cerca de 1500 são europeus.

 

O que são os Prémios ESO Angels? 

Cláudia Queiroga – Os ESO Angels Awards são uma forma de reconhecimento e motivação para as equipas. Os critérios para a atribuição dos prémios foram definidos pela ESO e incluem aquilo que é considerado como medidas de qualidade básicas no cuidado ao doente com AVC. Por exemplo, a percentagem de doentes submetidos a TC ou a um rastreio de disfagia.

Para ser elegível é necessário registar um mínimo de 30 doentes consecutivos na base de dados RES-Q (uma base de dados da ESO) e estar registado na plataforma Angels.

No final de cada trimestre, e com base nos dados inseridos, o RES-Q calcula automaticamente o resumo dos dados de cada equipa, fornecendo não só o sumário dos doentes registados mas também a informação de se estão habilitadas a alguma categoria dos ESO Angels Awards.

ler mais