11 Mar, 2026

Aliança Millions Missing pede reconhecimento da covid longa em Portugal

Estima-se que mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com covid longa, sendo que vários estudos indicam que mais de metade dos doentes continua a apresentar sintomas um ano após a infeção inicial.

Aliança Millions Missing pede reconhecimento da covid longa em Portugal

A organização Aliança Millions Missing (AMM), que defende os direitos das pessoas com covid longa e outras doenças associadas, considerou hoje urgente o reconhecimento clínico e institucional em Portugal do que classifica como “síndrome pós-infeciosa”.

Em comunicado, a AMM alerta que a covid longa “continua invisível, subdiagnosticada e sem resposta estruturada em Portugal”, apontando para a ausência de dados epidemiológicos, de centros de referência e de formação clínica adequada para lidar com esta condição.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, ainda não existe uma definição consensual para a chamada covid longa. A Organização Mundial da Saúde considera que a “condição pós-covid” ocorre geralmente nos primeiros três meses após a infeção inicial, manifestando-se através de um conjunto de sintomas que persistem durante pelo menos dois meses e que não podem ser explicados por outro diagnóstico.

Para o pneumologista João Carlos Winck, membro do conselho científico da AMM, a covid longa integra o grupo das síndromes pós-infeciosas (PAIS), que incluem também a encefalomielite miálgica/síndrome de fadiga crónica (EM/SFC).

Estas condições podem provocar fadiga extrema, mal-estar pós-esforço, disfunção cognitiva, intolerância ortostática, perturbações do sono e dor musculoesquelética, podendo tornar-se altamente incapacitantes, acrescenta o especialista citado no comunicado.

Em vésperas do Dia Internacional de Consciencialização para a Covid Longa, que se assinala no domingo, a AMM sublinha que a invisibilidade desta “doença crónica” tem consequências profundas na vida das pessoas afetadas, incluindo perda de autonomia, dificuldades no trabalho e estigmatização social. A organização defende, por isso, a criação de respostas estruturadas no sistema de saúde.

De acordo com a AMM, estima-se que mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com covid longa, sendo que vários estudos indicam que mais de metade dos doentes continua a apresentar sintomas um ano após a infeção inicial.

SO/LUSA

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