“AbbVie continuará a investir em novas áreas enquanto persistirem necessidades médicas”

Aquisição da Allergan permite à AbbVie alargar o portfólio e crescer em Portugal, revela o diretor-geral da empresa em Portugal, Antonio Della Croce.

Qual a importância da integração da Allergan para o portfólio da Abbvie e para a estratégia futura da empresa?

A integração da Allergan na AbbVie é, sem dúvida alguma, um marco histórico para ambas as empresas, que têm já um importante caminho feito e experiência comprovada em diversas áreas. Esta é a maior aquisição da AbbVie desde que se tornou uma companhia farmacêutica independente, em 2013, na sequência da separação dos Laboratórios Abbott e é um passo fundamental, que vai permitir-nos continuar a causar um impacto notável na vida de um número cada vez maior de pessoas.

No imediato, a integração vai permitir-nos expandir e diversificar o nosso portfólio de produtos no mercado, reforçando a nossa posição de liderança num amplo leque de áreas terapêuticas: : Imunologia, Hemato-Oncologia, Neurociências e Medicina Estética.

A médio e longo prazo, este reforço da liderança irá permitir-nos continuar a fazer um forte investimento no nosso pipeline. A nossa ambição é continuar a investigar e desenvolver soluções terapêuticas inovadoras que possam ajudar os médicos a transformar a vida dos doentes para incomparavelmente melhor. Este sempre foi o nosso principal objetivo e continuará a sê-lo agora que a Allergan faz parte da AbbVie.

“Relativamente às áreas em que a AbbVie se estreia, temos duas áreas onde a Allergan foi pioneira e é líder de mercado: a Oftalmologia e a Medicina Estética”

Como esta aquisição, como fica organizado o portfólio da Abbvie? Que áreas têm mais peso e quais as áreas em que agora vão entrar?

Da fusão dos conhecimentos e experiências de ambas as companhias resulta um importante e diversificado portefólio com cerca de 30 soluções terapêuticas, que no seu conjunto permitem tratar mais de 60 condições.

A integração da Allergan vai permitir-nos reforçar a nossa posição de liderança na Imunologia, área de forte tradição para a AbbVie e que continua em crescimento, onde disponibilizamos terapêuticas inovadoras no tratamento de várias doenças imunomediadas, como a artrite reumatoide, a psoríase a doença inflamatória intestinal. Com esta transformação da companhia, reforçamos também a nossa posição na Hemato-Oncologia, onde oferecemos já tratamentos para cancros hematológicos, como a leucemia linfocítica crónica, mas esperamos vir a disponibilizar soluções para tumores sólidos. Um dos nossos objetivos e desafios para o futuro é sem dúvida transformar a forma como o cancro é tratado.

As Neurociências ganham também relevo no nosso portfólio, sendo que além da doença de Parkinson, passamos a oferecer também soluções para o transtorno bipolar, a esquizofrenia e as enxaquecas crónicas. Cada desafio neste campo ainda desconhecido dá-nos mais determinação para continuar a investigar soluções para doentes, cuidadores e profissionais de saúde. O nosso compromisso em atender às necessidades das pessoas que vivem com doenças neurodegenerativas é inabalável e vamos por isso continuar a procurar resposta para outras patologias como a doença de Alzheimer e a esclerose múltipla.

Relativamente às áreas em que a AbbVie se estreia, temos duas áreas onde a Allergan foi pioneira e é líder de mercado: a Oftalmologia, com soluções para tratamento de doenças relacionadas com a retina e a missão proteger e preservar a visão de milhões de pessoas; e a Medicina Estética, onde possui alguns dos produtos mais conceituados do mundo e continua a desenvolver novas terapias e dispositivos que tratam com segurança e eficácia as condições de pele.

Manteremos, obviamente, outras importantes áreas para a AbbVie, como a Virologia, onde desenvolvemos opções de tratamento inovadoras, com o objetivo de oferecer a mais pessoas a possibilidade de cura da hepatite C. Neste campo, mantemos o nosso compromisso com a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) e continuamos determinados em eliminar a hepatite C até 2030.

A entrada em novas áreas terapêuticas é uma estratégia que vai continuar a ser seguida?

A AbbVie continuará a investir em novas áreas enquanto persistirem necessidades médicas por satisfazer. Temos como foco as doenças difíceis de tratar e as áreas onde existem poucas soluções terapêuticas disponíveis para médicos e doentes. Por isso trabalhamos continuamente na criação de soluções, para gerar um impacto notável na vida dos doentes, nas sociedades e no avanço da própria ciência.

Qual o investimento anual da Abbvie em I&D?

A investigação e a inovação são os pilares da AbbVie. Estamos empenhados em descobrir, desenvolver e disponibilizar medicamentos em áreas terapêuticas onde temos uma experiência comprovada e onde podemos causar um verdadeiro impacto.

Em 2019, a AbbVie investiu 5 mil milhões na investigação e desenvolvimento de novos medicamentos inovadores, com o potencial de tratar mais de 1,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo. Esta área tem sido de facto uma das nossas prioridades, pois é nossa intenção continuar a procurar e encontrar soluções terapêuticas inovadoras para os muitos desafios de saúde que o mundo enfrenta.

Num contexto de pandemia, a Abbvie estabeleceu alguma parceria com outras empresas para desenvolver vacinas ou novos tratamentos? O que tem feito a empresa para ajudar na resposta à pandemia?

Desde o início da pandemia que a AbbVie mobilizou todos os esforços para contribuir na resolução desta crise sanitária e temos estado focados na saúde e segurança dos nossos colaboradores, profissionais de saúde e doentes. A nossa prioridade foi sempre a de garantir que os doentes continuassem a ter acesso aos medicamentos de que precisam e, simultaneamente, contribuir para os esforços de investigação.

Nesse sentido, a AbbVie tem trabalhado em estreita colaboração com as autoridades de saúde e tem apoiado, a nível global, estudos clínicos e investigação básica relacionadas com a Covid-19. Em Portugal, a AbbVie está a fornecer gratuitamente lopinavir/ritonavir aos hospitais portugueses para uso em doentes com Covid-19, através de uma doação ao Serviço Nacional de Saúde. Este é o nosso contributo mais direto para os doentes e também para a sustentabilidade do sistema de saúde, que sempre foi uma das nossas preocupações.

Mas porque consideramos que é também nosso dever apoiar quem trabalha no terreno, a AbbVie fez também um donativo de 35 milhões de dólares para apoiar as organizações que estão na linha da frente no combate contra a pandemia. Localmente, fizemos também um donativo no âmbito da linha de apoio que a Apifarma criou em colaboração com a Ordem dos Médicos e Ordem dos Farmacêuticos para aquisição de equipamentos para os profissionais de saúde.

Mais do que nunca, é nosso dever assumir um papel ativo na resolução desta crise sanitária sem precedentes e ir além da própria medicina, ajudando de todas as formas que estiverem ao nosso alcance, pois todos os esforços são bem vindos e necessários.

Como será gerida a integração dos novos trabalhadores na equipa? Com quantos trabalhadores em Portugal esperam contar no final do processo?

Foram muitos meses de preparação no último ano até chegarmos ao dia da integração que, dado o contexto complexo em que vivemos, não foi como tínhamos imaginado, mas não deixou de ser memorável. A primeira reunião com todos os colaboradores, enquanto nova AbbVie, teve que ser feita à distância, através das plataformas digitais. Este tem sido de facto um grande desafio, mas tenho também a certeza que seremos bem sucedidos nesta integração e estamos todos extremamente expectantes por podermos conhecer pessoalmente os novos colegas.

A Allergan tinha uma estrutura ibérica e os colaboradores que trabalhavam em Portugal estão a ser integrados na filial portuguesa da AbbVie. Ainda é cedo para dizer, mas acreditamos que esta fusão é também uma grande oportunidade para a companhia crescer e conquistar ainda mais importância em Portugal.

De um modo geral, não estão previstas alterações no negócio, ou seja, continuaremos a assegurar a nossa atividade como habitualmente. Apesar de este ser um passo gigantesco e transformador para a companhia, o fundamental para nós é que a AbbVie continue a ser um importante parceiro e um parceiro de confiança das autoridades nacionais, instituições de saúde, profissionais de saúde e doentes portugueses. Mais do que nunca, estamos empenhados em ajudar os médicos portugueses a transformar vidas.

TC/SO

ler mais

RECENTES

ler mais