diretor-geral da Merck Portugal

A saúde e o investimento estrangeiro em Portugal

A Organização das Nações Unidas diz, que Portugal registou em 2015 um investimento direto estrangeiro de 6.031 milhões de dólares, quando em 2014 esse investimento tinha sido de 7.614 milhões de dólares, ou seja, o investimento direto estrangeiro em Portugal caiu 1.583 milhões de dólares. Segundo os dados que são públicos o investimento direto alemão cresceu no último ano, ou seja, enquanto o investimento direto estrangeiro na sua totalidade diminuiu, o investimento alemão em Portugal cresceu.

São muitas, e das mais diversas áreas, as empresas alemãs que estão em Portugal, desde a saúde ao fabrico de componentes para automóveis, há vários bons exemplos de empresas que têm vindo a reforçar a sua posição em Portugal e mesmo a usar as suas unidades no nosso país para serem as líderes em diversos processos de produção.

Quer isto dizer que as empresas alemãs olham para Portugal de forma diferente do que empresas de outros países? Quer isto dizer que as empresas alemãs confiam mais nos portugueses do que empresas de outros países? Ou que os portugueses respondem de forma diferente a projetos de empresas alemãs? Todas as respostas podem estar certas e todas as respostas podem estar erradas.

Mas factos são factos, e os números dizem que as empresas alemãs estão a aumentar o seu investimento em Portugal.

Os alemães são mesmo dos que mais elogiam a qualidade e as mais-valias dos trabalhadores portugueses, dos técnicos e dos cientistas. Várias companhias alemãs, incluindo a Merck, potenciam estes ativos que Portugal oferece. Centros de Investigação como o Instituto Gulbenkian de Ciência, a Fundação Champalimaud ou o IPATIMUP são excelentes parceiros para áreas específicas da ciência médica. Os hospitais portugueses participam ativamente em ensaios clínicos globais que trazem inovação aos tratamentos para diferentes doenças, incluindo a esclerose múltipla. O facto de Portugal ter um nível médico/científico muito bom em conjunto com a flexibilidade e capacidade de adaptação dos recursos faz com que estes centros e investigadores sejam atrativos para várias empresas de outros países.

E na saúde o que falta a Portugal para atrair mais investimento estrangeiro, alemão ou de outro país? A burocracia é por todos apontada como uma das principais responsáveis, mas há mais. É reconhecido por todos que as instituições de investigação de topo portuguesas são das melhores do mundo, existem ótimos cientistas e técnicos, e houve algum sucesso na promoção individual de centros de excelência no mundo.

Mas existe uma grande dificuldade em mostrar ao mundo o que de melhor existe neste país. Promover e apoiar estrelas numa equipa pode garantir algum sucesso – a promoção e apoio a uma equipa com estrelas foi a forma como Portugal ganhou o campeonato europeu e também pode ajudar a ganhar na competição por investimento e colaboração na área da saúde.

 

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