Urgência Regional de Ortopedia em Lisboa é “uma aposta falhada”, diz sindicato
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) critica a intenção do Governo em aplicar o modelo de Urgência Regional de Ortopedia na região de Lisboa e Vale do Tejo.

O objetivo do Governo com a Urgência Regional de Ortopedia é replicar o da Ginecologia-Obstetrícia (Península de Setúbal e Loures-Vila Franca de Xira), mas para o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) esse é “um modelo falhado, que não impediu os constrangimentos e encerramentos dos serviços de urgência”.
Na sua perspetiva, pôs inclusive em causa o princípio da proximidade dos cuidados. “Veja-se o exemplo do encerramento do Serviço de Urgência de Obstetrícia do Barreiro e até, em alguns dias, da Urgência Regional do Hospital Garcia de Orta, em Almada”, pode ler-se em nota enviada à imprensa.
O Governo refere que neste processo se pretende concentrar respostas diferenciadas que permitem “maior segurança, qualidade e disponibilidade dos cuidados, sem perder a necessária proximidade”. Todavia, o SMZS-FNAM realça que tal afirmação é uma contradição, pois não é possível concentrar “sem perder a necessária proximidade”.
O Sindicato critica também a falta de reforço de profissionais, tal como tem acontecido na Ginecologia-Obstetrícia. “O resultado tem sido a desnecessária deslocação entre unidades e o inadmissível atraso nas intervenções de que os utentes necessitam, com dezenas a aguardar durante mais de 24 horas por uma cirurgia ortopédica urgente.”
E acrescenta: “Este modelo de concentração de urgências, nas várias especialidades, tem sido a resposta incapaz do Governo, sem resolver o problema da falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Uma resposta de desmantelamento, que afasta cada vez mais o SNS de quem precisa e compromete a prestação de cuidados em tempo adequado.”
O SMZS-FNAM apela assim ao reforço da carreira dos profissionais e ao investimento no SNS para manter a capacidade e a qualidade dos cuidados.
Maria João Garcia
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