24 Ago, 2026

Apatia a partir dos 76 anos é um dos sintomas a ter em conta na suspeita de demência

Investigadores alertam para perfil de risco de demência e lembram que identificar precocemente pode preservar a autonomia e a capacidade de decisão dos doentes. 

Apatia a partir dos 76 anos é um dos sintomas a ter em conta na suspeita de demência

Alguns dos sinais a ter em conta na suspeita de demência é ter mais de 76 anos, demonstrar apatia e olhar sistematicamente para um familiar ou cuidador durante a consulta, de acordo com um estudo coordenado por Rui Araújo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), e publicado na revista científica da Sociedade Portuguesa de Neurologia Sinapse.

“Descobrimos que pessoas com um determinado perfil de queixas cognitivas e antecedentes médicos apresentavam maior risco de desenvolver demência”, explica o especialista.

Na população estudada, que incluiu doentes observados numa consulta de Neurologia no norte de Portugal, foram detetadas outras queixas compatíveis com doença neurodegenerativa, como pontuações abaixo do esperado para a idade e escolaridade em testes “de cabeceira”. “Isso era especialmente relevante nas pessoas com queixas cognitivas sem doença psiquiátrica prévia.”

Segundo Rui Araújo, é fundamental identificar bem este perfil de risco, na medida que as queixas cognitivas  motivam a maior parte dos pedidos de consulta de Neurologia, apesar de poderem ser sintomas de outras patologias como perturbação de ansiedade e depressão.

“Tendo em conta que novos tratamentos vão surgindo, sobretudo dirigidos para fases precoces da doença de Alzheimer, torna-se fundamental identificar corretamente estes doentes. Quanto mais cedo uma doença for detetada, mais cedo se pode intervir”, afirma o também investigador do RISE-Health e médico neurologista.

Acrescenta, ainda, como “extremamente úteis” a aposta na realização de exercício físico regular, uma nutrição adequada, rotinas de sono e atividade cognitiva para atenuar a evolução de uma demência.

Em Portugal, estima-se que 6% das pessoas com mais de 60 anos – mais de 160 mil pessoas – tenham uma forma de demência, sobretudo a doença de Alzheimer.

O trabalho coordenado por Rui Araújo contou com a participação de Mafalda Silva, Carolina Correia e Daniel Ferro, igualmente investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Maria João Garcia

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