2 Jul, 2026

Investigação da NOVA Medical School procura prever quais os tratamentos mais eficazes no cancro da mama

Um projeto liderado por João Conde, professor e investigador da NOVA Medical School, pretende desenvolver um novo modelo experimental capaz de prever, em laboratório, quais os tratamentos com maior probabilidade de resultar em cada doente com cancro da mama. A investigação recebeu uma bolsa de 150 mil euros do Conselho Europeu de Investigação.

Investigação da NOVA Medical School procura prever quais os tratamentos mais eficazes no cancro da mama

Um projeto de investigação da NOVA Medical School (NMS) pretende aproximar os resultados obtidos em laboratório da realidade clínica, através do desenvolvimento de um novo modelo experimental para avaliar a resposta dos tumores da mama aos tratamentos disponíveis. A iniciativa, liderada por João Conde, professor e investigador da NMS, recebeu uma bolsa Proof of Concept do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 150 mil euros.

Designado APOLLO-BC, o projeto parte da constatação de que muitos medicamentos apresentam resultados promissores em modelos laboratoriais, mas não reproduzem a mesma eficácia quando são utilizados nos doentes. Uma das razões apontadas prende-se com a dificuldade em recriar, fora do organismo humano, as condições físicas reais em que os tumores se desenvolvem.

A investigação pretende criar uma plataforma laboratorial capaz de reproduzir características do microambiente tumoral, incluindo fatores como a rigidez dos tecidos, o fluxo de fluidos e a penetração dos fármacos no tumor. Segundo a NOVA Medical School, estes elementos podem influenciar a forma como os medicamentos atuam e a resposta ao tratamento.

O projeto centra-se em dois subtipos de cancro da mama particularmente desafiantes: o cancro da mama triplo-negativo e o cancro da mama HER2-positivo, ambos associados a uma elevada variabilidade na resposta às terapêuticas existentes.

Durante um período previsto de 18 meses, o APOLLO-BC irá comparar o novo modelo com os modelos pré-clínicos utilizados atualmente, recorrendo a amostras de cerca de 40 doentes e testando pelo menos seis tratamentos já aprovados. O objetivo é avaliar se esta abordagem consegue prever com maior precisão quais as terapêuticas com maior probabilidade de eficácia em cada caso.

Caso a plataforma demonstre vantagens face aos modelos existentes, poderá contribuir para uma seleção mais personalizada dos tratamentos oncológicos e reduzir a distância entre a investigação pré-clínica e a prática clínica. Os investigadores admitem ainda que a tecnologia possa vir a ser adaptada a outros tumores sólidos, como os do pâncreas, pulmão, ovário, próstata ou colorretal.

A bolsa Proof of Concept do ERC destina-se a investigadores que já receberam financiamento do Conselho Europeu de Investigação e tem como objetivo apoiar a valorização e o potencial de inovação das descobertas científicas.

SO/COMUNICADO 

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