Enfermagem Forense. “Da urgência ao tribunal, cada gesto conta e cada profissional faz a diferença”
O I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense vai decorrer no dia 6 de novembro, em Elvas. Catarina Aranha é presidente do Núcleo de Urgência de Elvas e enfermeira gestora do Serviço de Urgência do Hospital de Santa Luzia de Elvas faz uma antevisão do evento e alerta para a importância da formação nesta área da saúde para que se cuidar da melhor forma das vítimas de crime.

Qual o objetivo do I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense?
Elvas vai receber, no dia 6 de novembro de 2026, o I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense, uma iniciativa promovida pelo NUE – Núcleo de Urgência de Elvas, com o apoio da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, que decorrerá no Auditório da Escola Superior de Biociências de Elvas.
O objetivo é promover a Enfermagem Forense em Portugal, reunindo profissionais, estudantes e investigadores para debater desafios, avanços científicos e perspetivas futuras desta área. Pretendemos reforçar a importância do papel dos profissionais de saúde na identificação, preservação e encaminhamento de elementos com relevância pericial.
Como surgiu a ideia?
A ideia nasceu no seio do NUE – Núcleo de Urgência de Elvas, a partir da experiência acumulada dos profissionais do Serviço de Urgência da ULS Alto Alentejo, que lidam com situações de violência e reconhecem a necessidade de práticas mais robustas, uniformizadas e cientificamente sustentadas na preservação de vestígios. Este olhar atento e crítico sobre a realidade assistencial levou a equipa a identificar a importância de aprofundar competências numa área que está a ganhar relevância internacional.
O impulso académico também teve um papel determinante. Trabalhos desenvolvidos internamente, em particular o projeto PRESERVA, coordenado pela Enf.ª Ana Sofia Alves, evidenciaram a urgência de investir em formação especializada, em circuitos bem definidos e numa articulação mais estreita entre saúde, justiça e forças policiais. Este cruzamento entre prática clínica, investigação e visão estratégica criou as condições ideais para que o NUE assumisse a liderança na organização de um evento desta dimensão.
Assim, o simpósio surge como uma iniciativa necessária, que traz este debate ao espaço público e científico, reforçando o compromisso da ULS Alto Alentejo com a inovação, a qualidade e a melhoria contínua dos cuidados prestados às vítimas de crime.
“A cooperação entre saúde, justiça e forças policiais é essencial para garantir rigor técnico, proteção da vítima e qualidade da prova”
O que destacaria neste evento?
Destaco a qualidade do programa científico, que conta com especialistas nacionais e internacionais como Albino Gomes, Maria Ibáñez Bernáldez, Inês Gouveia Abundância, Rui da Fonseca e Castro e Fernando Viegas. Sob o tema “Da urgência ao tribunal, cada gesto conta”, o simpósio analisa procedimentos desde a prestação inicial de cuidados até à eventual utilização de vestígios em contexto judicial. É um marco para Elvas e para o desenvolvimento da Enfermagem Forense em Portugal.
Como vê a articulação da Enfermagem Forense com a Justiça e com as forças policiais? O que deve melhorar?
A articulação tem evoluído, mas ainda exige formação conjunta, protocolos uniformizados e canais de comunicação mais diretos. A cooperação entre saúde, justiça e forças policiais é essencial para garantir rigor técnico, proteção da vítima e qualidade da prova.
Que desafios enfrenta a Enfermagem Forense?
A falta de formação estruturada, a variabilidade de práticas, a sobrecarga assistencial e a insegurança jurídica dos profissionais são desafios que mostram a necessidade de investimento e integração formal desta área nos serviços de saúde.
“Participar neste simpósio é contribuir para uma mudança real na forma como cuidamos das vítimas de crime”
Quais são as possíveis soluções?
Adoção de medidas exequíveis e alinhadas com boas práticas internacionais como a formação certificada, protocolos padronizados, kits forenses uniformizados, espaços adequados para recolha de vestígios e reuniões regulares entre entidades.
Que mensagem deixa a quem queira participar?
Participar neste simpósio é contribuir para uma mudança real na forma como cuidamos das vítimas de crime. É uma oportunidade para aprender, partilhar e fortalecer redes de cooperação. Da urgência ao tribunal, cada gesto conta e cada profissional faz a diferença.
Maria João Garcia













