25 Mai, 2026

Obesidade abranda em Portugal e na Europa Ocidental mas continua a crescer em países pobres

A obesidade está a desacelerar em países da Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas continua a aumentar de forma consistente em regiões mais desfavorecidas, concluiu um estudo internacional com participação de investigadores da Universidade de Coimbra.

Obesidade abranda em Portugal e na Europa Ocidental mas continua a crescer em países pobres

O estudo, publicado na revista científica Nature, analisou a evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, com base em mais de 4 mil estudos populacionais e dados de mais de 232 milhões de participantes.

A investigação foi liderada pela NCD Risk Factor Collaboration em parceria com o Imperial College London e contou com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra.

Segundo a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), os resultados mostram uma “desaceleração histórica” da obesidade na Europa Ocidental, apontando para sinais de estabilização e até de possível inversão em alguns países de elevado rendimento.

Portugal, Itália e França são apontados como exemplos de países onde se verificou uma redução da obesidade infantil e juvenil desde os anos 2000.

“Após um aumento rápido e sustentado da prevalência da obesidade ao longo das últimas décadas do século XX, observa-se agora um abrandamento claro desse crescimento na maioria dos países de elevado rendimento”, refere a FCTUC, em comunicado.

Em contrapartida, o estudo alerta para um crescimento contínuo da obesidade em países de baixo rendimento, sobretudo em regiões de África, Ásia, América Latina, Caraíbas e ilhas do Pacífico.

Em declarações à Lusa, o investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da FCTUC, Aristides Machado-Rodrigues, afirmou que os resultados mostram que a ideia de uma epidemia global de obesidade “pode ser uma simplificação excessiva”, uma vez que existem trajetórias muito diferentes entre países e regiões.

O investigador destacou ainda a relação entre obesidade e desigualdade económica, sublinhando que os alimentos menos saudáveis tendem a ser mais baratos e acessíveis.

“Os alimentos mais nefastos, hipercalóricos e ricos em açúcar e gordura, têm custos mais baixos”, afirmou.

Sobre a evolução mais favorável em vários países ocidentais, Aristides Machado-Rodrigues apontou o impacto de políticas públicas de promoção da alimentação saudável, combate ao sedentarismo e incentivo à prática de atividade física.

“Há uma combinação de fatores políticos e sociais que só se manifesta em períodos temporais mais longos e que começa agora a revelar sinais de estabilização em algumas sociedades”, explicou.

O estudo contou ainda com a participação dos investigadores da Universidade de Coimbra Cristina Padez, Daniela Rodrigues, Helena Nogueira, Luísa Macieira, Lélita Santos e Anabela Mota-Pinto.

LUSA/SO

Notícia relacionada

Travar a Obesidade: Do Compromisso Político à Prática Clínica

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais