14 Mai, 2026

Hantavírus: ECDC afasta suspeitas de nova estirpe mais transmissível

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) afirmou que não existem indícios de que o hantavírus responsável pelo surto associado ao cruzeiro MV Hondius seja uma nova estirpe ou tenha maior capacidade de transmissão. O organismo europeu mantém, contudo, a vigilância apertada.

Hantavírus: ECDC afasta suspeitas de nova estirpe mais transmissível

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) garantiu esta terça-feira que a informação científica atualmente disponível não aponta para a existência de uma nova estirpe de hantavírus no surto associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, nem para um aumento da transmissibilidade ou da gravidade da infeção.

Em conferência de imprensa, o especialista em microbiologia e epidemiologia molecular Andreas Hoefer explicou que o genoma do vírus já foi sequenciado e que os dados analisados “não dão razões para suspeitar que se trate de um novo vírus”.

“Não há qualquer dado que sugira que este vírus está a comportar-se de forma diferente, em termos de transmissibilidade ou severidade, em relação a outros vírus conhecidos que circulam em várias regiões do mundo”, afirmou.

Também a diretora do ECDC, Pamela Rendi-Wagner, sublinhou que os hantavírus são conhecidos da comunidade científica há mais de 50 anos e que a transmissão entre pessoas exige contacto muito próximo e prolongado.

“Comparado, por exemplo, com o sarampo, este é um vírus com um risco muito menor de transmissão”, afirmou.

O ECDC recomendou que os passageiros assintomáticos do cruzeiro permaneçam em quarentena durante seis semanas após o desembarque, até 21 ou 22 de junho, dependendo da data em que deixaram o navio.

Os especialistas europeus vão agora concentrar a investigação em duas questões principais: identificar onde e quando ocorreu a infeção dos passageiros e compreender melhor a transmissibilidade e a severidade da variante Andes do hantavírus associada ao surto.

Pamela Rendi-Wagner admitiu que poderão surgir novos casos nas próximas semanas devido ao longo período de incubação da doença. “Isso não pode ser excluído”, alertou.

Segundo dados atualizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados nove casos de infeção, além de dois casos prováveis e três mortes associadas ao surto entre passageiros e tripulantes do MV Hondius.

O navio partiu da ilha espanhola de Tenerife com destino a Roterdão, nos Países Baixos, onde deverá ser alvo de desinfeção. A bordo permanecem 25 tripulantes, dois profissionais de saúde e o corpo de um passageiro alemão que morreu durante a viagem.

O hantavírus transmite-se habitualmente através do contacto com roedores infetados. A variante Andes, rara, distingue-se por poder também transmitir-se entre pessoas. Os sintomas iniciais incluem febre, tosse, fadiga, dores musculares e dores de cabeça.

LUSA/SO

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