Estudo inédito vai avaliar diabetes e risco cardiovascular em mais de 20 mil portugueses
As Sociedades Portuguesas de Diabetologia e de Cardiologia vão arrancar, em março, com um estudo nacional de grande dimensão para avaliar a prevalência da diabetes e dos fatores de risco cardiovascular na população adulta, uma iniciativa inédita em Portugal que envolverá mais de 20 mil participantes.

As Sociedades Portuguesas de Diabetologia (SPD) e de Cardiologia (SPC) vão iniciar, em março, um estudo nacional de larga escala sobre diabetes e risco cardiovascular, envolvendo mais de 20 mil participantes em todo o país. A iniciativa, considerada inédita em Portugal, chama-se Pulsar Portugal e terá uma duração prevista de 18 meses.
O estudo é promovido e coordenado cientificamente pelas duas sociedades médicas, em parceria com a IQVIA, responsável pela execução técnica e análise estatística, e com a SYNLAB, que assegura a componente laboratorial. Antes do arranque nacional, está a decorrer um projeto-piloto em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, iniciado este mês, que funciona como teste à operacionalização do estudo.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cristina Gavina, explicou que o concelho de Gaia foi escolhido pelas características da sua população, permitindo uma primeira aproximação à caracterização da população portuguesa. Segundo a responsável, o piloto serve para testar “um dos maiores estudos epidemiológicos alguma vez realizados em Portugal” nas áreas da diabetes e do risco cardiovascular.
Após esta fase, o Pulsar Portugal irá abranger Portugal continental e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, com uma amostra representativa da população adulta entre os 18 e os 79 anos. O estudo irá avaliar a prevalência da diabetes, diagnosticada e não diagnosticada, os principais fatores de risco cardiovascular, a qualidade de vida associada aos diferentes níveis de risco e, a médio e longo prazo, a incidência e mortalidade por eventos cardiovasculares, como enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.
As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte na Europa e em Portugal, enquanto a diabetes é uma das doenças crónicas de maior prevalência e um importante fator de risco cardiovascular. Segundo Cristina Gavina, os dados disponíveis em Portugal têm mais de uma década e já não refletem a evolução demográfica, clínica e social do país.
O Pulsar Portugal será um estudo exclusivamente presencial e gratuito para os participantes. Os rastreios serão realizados em laboratórios de análises clínicas próximos da área de residência dos utentes selecionados, garantindo cobertura geográfica nacional e equidade no acesso. Os participantes terão acesso a recolha de dados clínicos e demográficos, medições antropométricas, avaliação da pressão arterial e análises laboratoriais completas.
De acordo com a presidente da SPC, os participantes receberão resultados de exames que vão além dos rastreios convencionais e que nem sempre estão disponíveis no Serviço Nacional de Saúde, podendo depois discuti-los com os seus médicos e obter uma caracterização individual do risco cardiovascular.
O convite à participação será feito de forma aleatória, através de mensagem ‘sms’, com base nas listas de utentes dos centros de saúde, respeitando critérios de sexo e idade. Bastará ao convidado aceitar e deslocar-se a um centro de análises parceiro da iniciativa.
As pessoas entre os 40 e os 79 anos poderão integrar uma coorte longitudinal, acompanhada durante 10 anos através dos registos clínicos das Unidades Locais de Saúde, mediante consentimento informado, uma abordagem também considerada inovadora em Portugal.
O objetivo final do Pulsar Portugal é criar uma base de dados científica robusta que permita melhorar a compreensão dos fatores de risco, apoiar políticas de prevenção e informar a tomada de decisão no contexto do SNS. Patrocinado por sete empresas farmacêuticas, o estudo deverá apresentar resultados no final de 2027.
LUSA/SO
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