Associação convida passageiros do Metro a experimentar o que é uma enxaqueca
No Dia Europeu de Ação para a Enxaqueca, que se assinala amanhã, a MiGRA Portugal – Associação de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias estará presente na estação de metro do Cais do Sodré, entre as 8h e as 12h e as 16h e as 20h. O objetivo é alertar para a doença.

A MiGRA Portugal quer alertar para o impacto da enxaqueca, que se estima afetar cerca de 2 milhões de portugueses, e vai estar no Metro a convidar os passageiros a experimentarem alguns dos sintomas debilitantes da doença, através da realidade virtual. “A enxaqueca continua a ser vista como ‘apenas uma dor de cabeça’, mas é a segunda causa de incapacidade a nível mundial. É uma doença neurológica incapacitante e que afeta profundamente a vida familiar, profissional e social”, afirma Madalena Plácido, presidente da MiGRA Portugal.
“Queremos, por isso, dar visibilidade a esta condição, trazendo-a para o espaço público, permitindo que a população possa saber mais sobre a mesma, numa tentativa de quebrar mitos e ideias pré-concebidas, que ainda persistem.”
A experiência imersiva recorrerá a óculos de realidade virtual, permitindo aos passageiros vivenciar, durante alguns minutos, sintomas debilitantes que milhares de pessoas sentem diariamente, como alterações visuais (aura) e sensibilidade à luz.
Um estudo recente da European Migraine and Headache Alliance (EMHA) e da MiGRA Portugal revelou que 93% das pessoas com enxaqueca se sentem incompreendidas e 74% afirmam sentir falta de compreensão, até por parte de profissionais de saúde. “Com esta ação, queremos que as pessoas sintam, ainda que por instantes, o que significa viver com enxaqueca e que percebam a urgência de a reconhecer como um problema de saúde pública,” refere Madalena Plácido.
De acordo com um estudo realizado pela associação, 79% dos doentes têm crises com duração superior a quatro dias por mês; 14% vivem mais de metade do mês com dor; e 5% sofrem diariamente. “Estamos a falar de uma doença que afeta principalmente pessoas em idade ativa, o que significa um impacto brutal na vida laboral e familiar destes doentes, com faltas ao trabalho, isolamento social e dificuldades na vida familiar.”
As mulheres são as mais afetadas, com uma prevalência da doença três vezes maior comparativamente aos homens. Mas também as crianças e adolescentes sofrem com esta doença.
Para Madalena Plácido, “é tempo de dar visibilidade à enxaqueca e garantir que quem sofre com esta doença seja compreendido e apoiado”. A presidente da MiGRA Portugal reforça, ainda, que são necessárias políticas de saúde pública “mais eficazes” no diagnóstico e tratamento precoce nos cuidados de saúde primários; consultas especializadas em número suficiente no SNS; e programas de literacia em saúde para reduzir o estigma e aumentar o conhecimento sobre a doença.
Maria João Garcia
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