“Esta Reunião é um momento feliz de pertença à SPDV”
Entrevista a Paulo Filipe, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV).

Esta é a primeira Reunião da Primavera desde que iniciou o novo mandato. Como encara este reencontro da comunidade dermatológica em 2025?
É com enorme entusiasmo. A Reunião da Primavera é sempre um momento especial, mas esta tem um sabor particularmente feliz: reencontramo-nos na Figueira da Foz, 26 anos depois da última edição nesta cidade. A escolha do local foi intencional — a alternância geográfica permite-nos descentralizar, aproximar a Sociedade dos seus membros e redescobrir o território. A aguarela do cartaz simboliza bem esse espírito: o farol como orientação e porto seguro.
O programa científico é bastante abrangente. Que destaques gostaria de sublinhar?
Preparámos um programa equilibrado, atual e com forte envolvimento dos internos. Haverá simpósios sobre temas clínicos emergentes — como a tricologia, cada vez mais relevante na prática diária — e outros estruturantes, como a abordagem multidisciplinar às conectivites com artrite, que contará com a presença de especialistas da Dermatologia e da Reumatologia, incluindo os representantes máximos da Sociedade Portuguesa de Reumatologia. Destaco também o simpósio sobre cancro cutâneo e exposição solar, em parceria com a APCC, um tema central na nossa missão de sensibilização para a prevenção.
A componente formativa e o apoio aos internos continuam a ser uma prioridade?
Absolutamente. Os internos estão no centro da SPDV. Os casos clínicos e comunicações livres revelam o excelente trabalho que se faz nos nossos internatos. Este ano, quatro bolseiros da Bolsa Cabral Ascensão partilharão as suas experiências internacionais, apoiadas pela SPDV, num testemunho inspirador sobre a importância da formação contínua. A aposta nas bolsas e na internacionalização dos nossos internos é para manter e reforçar.
A vertente histórica também está presente nesta edição. Como vê esse equilíbrio entre tradição e inovação?
Vejo-o como essencial. A Dermatologia tem uma história rica que importa conhecer e valorizar. O simpósio do GEHDV, sobre a história da doença de Hansen e o papel do Hospital-Colónia Rovisco Pais, é disso exemplo. Além de ciência, é também uma viagem à memória coletiva da nossa especialidade. A visita de estudo a este local será, sem dúvida, um dos momentos marcantes desta reunião.
Num tempo de transformações na saúde, que papel deve assumir a SPDV?
Temos de ser uma voz ativa, presente nos grandes debates, nas decisões políticas e na definição de estratégias de Saúde Pública. A SPDV está empenhada em garantir a representação plena da Dermatologia, em todos os setores — público, privado, académico — e em afirmar o seu valor no contexto europeu. A colaboração com entidades como a APCC ou a Sociedade de Reumatologia mostra que estamos a construir pontes e a pensar de forma integrada.
Que mensagem deixa aos participantes da Reunião da Primavera 2025?
O meu agradecimento sincero. Aos colegas que participam, aos que apresentam trabalhos, aos moderadores, à indústria que nos apoia, e à equipa organizadora. Esta Reunião foi pensada como um espaço de aprendizagem, de encontro e de pertença. Que todos levem consigo novos conhecimentos, bons momentos e um renovado orgulho em fazer parte da SPDV.
SO
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