19 Mar, 2020

Vendas de ibuprofeno caem 30% numa semana, as de paracetamol duplicam

Dados são da consultora Health Market Research, que atribuiu a variação ao "impacto mediático" do desaconselhamento do ibuprofeno por causa do Covid-19.

O gráfico publicado pela empresa de estudos de mercado para a saúde, na rede social Linkedin, mostra que as farmácias portuguesas venderam, na última terça-feira, 17 de março, cerca de 40.000 unidades do anti-inflamatório, número que correspondeu a um decréscimo de 28,8% face a 10 de março (quase 60.000 unidades).

A quebra aconteceu depois das vendas de ibuprofeno (Brufen, por exemplo) terem escalado dia após dia na semana anterior, ao passarem das 40.000 unidades na segunda-feira para um pico ligeiramente superior a 140.000 na sexta-feira – uma variação a rondar os 250%.

Para a consultora, a redução das vendas de ibuprofeno deveu-se impacto mediático das notícias que desaconselhavam a utilização de ibuprofeno”, nomeadamente as que deram conta da publicação do ministro da Saúde da França, Olivier Verán, na rede social Twitter, no sábado a desaconselhar o uso de anti-inflamatórios, pela suposta hipótese de “agravamento da infeção” nos casos de Covid-19.

Na sequência dessa declaração, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vincou que as pessoas com sintomas semelhantes aos associados à Covid-19, como febre ou tosse seca, só devem tomar ibuprofeno com prescrição médica, apesar de não ter confirmado a relação entre uma enzima cuja produção é aumentada pelo ibuprofeno e o novo coronavírus, avançada num estudo da revista médica The Lancet.

Em vez dos anti-inflamatórios, a OMS recomendou o uso do paracetamol, medicamento que, tal como o ibuprofeno, apresentou, no início desta semana, um “padrão de compra claramente alterado”, mas no sentido ascendente, realçou a consultora.

As vendas de antipiréticos (Ben-U-Ron, por exemplo) aproximaram-se das 200.000 unidades na última terça-feira, um valor que superou o registo da terça-feira da semana anterior (10 de março) em 103,7% – venderam-se então pouco menos de 100.000.

Depois de se terem mantido quase sempre abaixo das 50.000 unidades durante o mês de fevereiro e a primeira semana de março, as vendas de paracetamol dispararam no início da semana passada, tendo atingido o pico diário de quase 250.000, na sexta-feira, e ultrapassado as 220.000, nesta segunda-feira.

Essa tendência de consumo do medicamento “continua bastante influenciada pelo surto do vírus SARS-CoV-2 [o coronavírus responsável pela Covid-19]”, frisou a Health Market Research.

SO/LUSA

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