Uso de células estaminais do sangue do cordão umbilical é seguro em crianças autistas

A conclusão é de um ensaio clínico que analisou os benefícios da administração de sangue no cordão umbilical em 29 crianças com Perturbações do Espetro do Autismo (PEA).

Foram publicados na revista Sotem Cells Translational Medicine os resultados de um ensaio clínico, que revelam que a administração de sangue do cordão umbilical autólogo, ou seja, do próprio, é totalmente segura e bem tolerada por crianças com Perturbações do Espetro do Autismo (PEA). Os investigadores recomendam a realização de mais estudos que possam confirmar o potencial deste tipo de terapia com crianças com PEA.

O estudo decorreu durante 49 semanas e envolveu 29 crianças com Perturbações do Espetro do Autismo (PEA) com idades compreendidas entre os 2 e os 7 anos. Os autores referem que, inicialmente, observaram melhorias no grupo que recebeu células estaminais, em comparação com o grupo placebo, na pontuação obtida na Escala de Comportamento Adaptativo de Vineland, um teste frequentemente utilizado para avaliar diversas competências, nomeadamente ao nível da comunicação, socialização, função motora e autonomia.

Em termos estatísticos, esta melhoria acabou por não se revelar significativa, no entanto, os autores referem que a tendência observada, de melhoria no grupo que recebeu células estaminais, vai ao encontro dos resultados obtidos por investigadores da Universidade de Duke nos EUA, num ensaio clínico que também testou a administração de sangue do cordão umbilical autólogo a crianças com PEA.

“De acordo com o instituto Sutter Health, responsável pelo ensaio clínico, os pais que emitiram opinião acerca do estudo demonstraram grande satisfação relativamente às melhorias observadas nos seus filhos. A autonomia, compreensão global da linguagem, comunicação e socialização foram algumas das competências em que os pais observaram claras melhorias.”, refere Bruna Moreira, Investigadora do Departamento da I&D da Crioestaminal.

A investigadora acrescenta ainda que “a incidência das PEA tem vindo a aumentar ao longo das últimas décadas e, apesar de ser possível realizar algumas intervenções ao nível comportamental, não existe cura para estas disfunções, pelo que é de extrema importância investir em estudos clínicos nesta área.”

Atualmente, as Perturbações do Espetro do Autismo afetam cerca de 60 em cada 10.000 crianças em toso o mundo e incluem um conjunto heterogéneo de disfunções de ordem neurológica, caracterizadas por alterações no normal desenvolvimento da criança, nomeadamente ao nível da comunicação, linguagem, comportamento e interação social. Em Portugal, o autismo afeta cerca de 1 em cada 1.000 crianças.

Esta segunda-feira, dia 2 de abril, assinala-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.

COMUNICADO/SO

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