19 Mai, 2023

Unidades Locais de Saúde. “Posição quase subalterna” dos cuidados primários deve mudar

Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, defende, em entrevista ao SaúdeOnline, mudanças no modelo unidade local de saúde (ULS). Hoje assinala-se o Dia Mundial do Médico de Família.

Unidades Locais de Saúde. “Posição quase subalterna” dos cuidados primários deve mudar

“Existe uma imagem muito hospitalocêntrica nas unidades locais de saúde (ULS), chegando mesmo a colocar-se os cuidados de saúde primários (CSP) numa posição quase subalterna e não de igualdade”, diz Nuno Jacinto.  O representante dos médicos de família não está contra o modelo ULS em si, contudo, defende algumas mudanças para que haja interligação efetiva entre CSP e hospitalares.

“Devem ser criados mecanismos que permitem dar aos CSP o peso que lhes é devido”, o que implica a integração, em todas as ULS, de um representante dos CSP, “o que nem sempre acontece”. Falha o que diz ser “um maior equilíbrio entre o que é a realidade dos CSP e dos hospitais, da Medicina Geral e Familiar, da Saúde Pública e das especialidades hospitalares”.

O presidente da APMGF refere, inclusive, que, mesmo quando se começou “num ponto aceitável, as condições foram-se deteriorando ao longo dos anos”. Na sua perspetiva, o modelo ULS peca ainda por “depender muito das suas lideranças”.

Como especifica: “As lideranças são, obviamente, importantes e queremos ter bons gestores, mas deixar tudo muito dependente de determinadas pessoas, e sem se ter o mínimo de garantia de estabilidade e eficácia nos CSP,  pode ser perigoso.”

Nuno Jacinto alerta também para a importância de se definir o papel de cada um dentro das ULS. “Não podemos ter  ideias peregrinas de desviar recursos dos CSP, nomeadamente para resolver problemas das urgências hospitalares, (…) passando a ser a urgência a porta de entrada na urgência.”

Lembre-se que Lisboa e Vale do Tejo vai dispor das primeiras quatro Unidades Locais de Saúde (ULS) e o Norte terá mais três, passando a haver 20 no país que assegurarão respostas em saúde a mais de 25% da população, de acordo com a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS).

O anúncio feito em fevereiro por Fátima Fonseca, responsável pelos CSP na DE-SNS, tem suscitado algumas críticas, nomeadamente por parte do bastonário da Ordem dos Médicos. Carlos Cortes considera que existe uma “fraca integração” de cuidados e apela a que haja “uma maior valorização” da Medicina Geral e Familiar e da Saúde Pública.

Texto: Maria João Garcia

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