Uma aposta desta Direção: “conseguir que a revista científica da SPO seja incluída no Index Medicus”

Na 3.ª edição do BEST OF ASCO, o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), José Luís Passos Coelho, faz um balanço positivo desta colaboração com a ASCO. O oncologista destaca ainda o empenho da Direção da SPO, a importância da partilha do conhecimento científico de maior impacto e a ambição de tornar a revista da sociedade uma publicação científica indexada a nível internacional.

Uma aposta desta Direção: “conseguir que a revista científica da SPO seja incluída no Index Medicus”

Estamos a realizar a 3.ª edição do BEST OF ASCO. Como está a correr esta colaboração com a ASCO?

A colaboração com a ASCO tem corrido muito bem, dentro do que estava previsto. Esta parceria assenta em dois grandes momentos: por um lado, a realização da reunião BEST OF ASCO em Portugal, sob proposta e orientação da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO); por outro, a organização de duas mesas-redondas conjuntas SPO/ASCO na reunião anual da Sociedade, onde são debatidos temas transversais. A SPO propõe os temas e oradores, com inclusão de um palestrante proposto pela ASCO para o tema escolhido.

As edições anteriores do BEST OF ASCO correram bastante bem, mas este ano temos a ambição de ir ainda mais ao encontro das expectativas dos participantes. O objetivo principal é apresentar uma seleção das comunicações com maior impacto, escolhidas entre as que foram apresentadas na Reunião Anual da ASCO, que decorreu no início de junho.

É uma reunião intensa, com quatro dias de trabalhos e entre 15 a 20 sessões a decorrer em simultâneo. Naturalmente, é impossível acompanhar tudo, por isso a própria ASCO faz uma seleção rigorosa das comunicações originais mais relevantes, que depois são disponibilizadas para apresentação nestas reuniões BEST OF ASCO realizadas fora e dentro dos EUA.

Ainda assim, permite aos seus parceiros – neste caso, à SPO – escolher um número adicional de comunicações, fora das selecionadas pela ASCO, que consideramos também de grande interesse científico, enriquecendo o programa nacional.

Realizada nos Estados Unidos, a Reunião Anual da ASCO é de difícil acesso para muitos profissionais, quer pelo custo da inscrição, quer pelas despesas de deslocação e estadia. Sendo o principal palco de apresentação dos trabalhos originais com maior impacto em Oncologia – a par da ESMO, que se realiza em outubro – parece-nos ser útil promover a divulgação precoce e alargada entre os profissionais da Oncologia que, na sua maioria, não estiveram presentes em Chicago, nem ligados remotamente.

Em Aveiro, as comunicações originais mais importantes feitas na ASCO, serão apresentadas por especialistas nacionais das respetivas áreas clínicas, que farão ainda a crítica dos trabalhos e a sua contextualização na literatura médica existente.

 

Este ano a reunião decorre apenas num dia…

Sim, nas edições anteriores o evento durou dois dias, porque queríamos cobrir um maior número de temas. No entanto, percebemos – através do feedback dos participantes – que se torna cada vez mais difícil ausentarem-se dos seus serviços durante dois dias seguidos.

Sendo uma altura do ano complicada, entre feriados e o início das férias, decidimos concentrar o programa num só dia, tornando-o mais exequível e acessível.

Vamos discutir os estudos que os especialistas de todo o mundo consideraram mais relevantes, e que, por isso foram apresentados na ASCO. Estas comunicações passaram previamente por dois níveis de seleção: a submissão pelos autores e a avaliação por júris científicos que determinaram se seriam apresentadas oralmente ou em formato de poster.

Sabemos que muitos destes trabalhos vão influenciar diretamente a prática clínica em Oncologia nos próximos tempos.

 

Está a terminar o seu mandato como presidente da SPO. Que balanço faz destes dois anos?

Foi uma experiência muito positiva e enriquecedora. Já tinha presidido à Sociedade Portuguesa de Senologia há alguns anos, numa altura em que a Dr.ª Gabriela Sousa era presidente da SPO. Hoje, estamos com os papéis trocados, o que é curioso.

Tal como em direções anteriores, continuámos muitos dos projetos já existentes e criámos novas iniciativas.

O congresso anual é o evento mais visível da sociedade, mas o BEST OF ASCO é também uma marca forte. Além destes, há muitas outras ações promovidas, não diretamente pela Direção, mas pelos grupos que nos apoiam: áreas como o cancro em jovens, cuidados paliativos, cuidados de suporte, dados em Oncologia, grupos de patologia específica, entre muitas outras. Há também um trabalho muito importante dirigido aos jovens especialistas pelo NIJE.

É um esforço coletivo exigente. A Sociedade tem a sorte de contar com o envolvimento e dedicação dos seus membros, que disponibilizam tempo pessoal – que muitas vezes não têm – para fazer avançar estas iniciativas.

Se tivesse de destacar uma aposta desta Direção, seria, sem dúvida, o esforço para conseguir que a revista científica da SPO venha a ser incluída no Index Medicus.

Atualmente, Portugal não tem nenhuma revista de Oncologia com indexação. Por isso, estamos a fazer um esforço sério para cumprir os critérios necessários. Se conseguirmos, tal tornará a publicação na Revista da SPO mais atrativa para investigadores nacionais (e estrangeiros) e também ajudará a fomentar a produção científica e o hábito de publicação, que são fundamentais para o avanço da Oncologia.

 

Que mensagem deixa aos especialistas que vão participar no BEST OF ASCO?

Que aproveitem ao máximo! Que estejam presentes, que participem, e que nos deixem sugestões de melhoria para o próximo ano. Estes eventos exigem muito trabalho.

Quero deixar uma palavra especial de agradecimento ao Dr. Renato Cunha, que foi, dentro da Direção, quem mais se dedicou à organização desta edição do BEST OF ASCO, embora naturalmente seja o reflexo do trabalho de toda a Sociedade – a Direção e os membros. Sem o esforço coletivo, nada disto seria possível.

Sílvia Malheiro

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