25 Mar, 2026

Um em cada três doentes omite falhas na medicação ao médico, alertam especialistas

Segundo os dados do estudo, a principal razão apontada para o incumprimento da medicação é a ausência de sintomas (33,2%), seguida da perceção de baixa gravidade da doença (17,2%) e da complexidade da posologia (15,8%).

Um em cada três doentes omite falhas na medicação ao médico, alertam especialistas

Várias sociedades científicas alertaram para o aumento de doentes que não cumprem a medicação prescrita e que omitem essa informação aos médicos, sobretudo entre os mais jovens, defendendo um reforço da literacia em saúde. De acordo com o estudo “Adesão à Terapêutica na Doença Crónica – A Visão dos Doentes”, realizado em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hipertensão, a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, um em cada três doentes que falha a toma da medicação não informa o médico, sendo que 57% consideram essa informação pouco relevante.

Em declarações à Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, Francisco Araújo, explicou que a omissão não se deve apenas ao receio de repreensão. “São doenças que habitualmente não trazem sintomas e são tão prevalentes que é quase como se fosse um quadro de normalidade”, afirmou. O especialista alertou para esta “falsa normalidade”, sublinhando que patologias como a aterosclerose e a hipertensão são fatores de risco importantes para a doença cardiovascular. Por se tratarem de processos que evoluem ao longo de muitos anos, os doentes mais jovens tendem a subestimar o risco real.

Segundo os dados do estudo, a principal razão apontada para o incumprimento da medicação é a ausência de sintomas (33,2%), seguida da perceção de baixa gravidade da doença (17,2%) e da complexidade da posologia (15,8%). O inquérito revela ainda que 46,4% dos doentes não possuem conhecimentos nem competências suficientes para gerir a sua doença no dia-a-dia. Além disso, mais de 20% consideram que a informação sobre saúde divulgada nos meios de comunicação social é difícil ou muito difícil de compreender.

Francisco Araújo destacou a importância da literacia em saúde, comparando-a a um sistema assente em vários pilares: o médico, a medicação e o doente. “Quando um deles falha, vai tudo ao chão”, afirmou, defendendo uma aposta na educação desde a infância para moldar comportamentos e prevenir doenças crónicas a longo prazo.

O estudo indica que, apesar de a adesão à terapêutica ser valorizada — com 59,7% dos doentes a demonstrarem elevada consciência da sua importância —, cerca de 40% não segue corretamente as indicações médicas. Entre os doentes com hipertensão e aterosclerose — as doenças cardiovasculares mais prevalentes —, a maioria está medicada (91,2% e 73,1%, respetivamente). Ainda assim, entre os que não cumprem a terapêutica, cerca de sete em cada dez afirmam não recear o agravamento da doença.

Os dados mostram também um agravamento face ao ano anterior, com aumento da percentagem de doentes que deixam de tomar medicação por se sentirem bem (32,9%, face a 21,9%) e dos que não têm acompanhamento médico regular (20,5%, face a 14,1%). O estudo ouviu 600 doentes com idades entre os 35 e os 75 ou mais anos, de várias regiões do país. Em Portugal, o Dia da Adesão à Terapêutica assinala-se a 27 de março, contando com o apoio de várias entidades do setor da saúde.

SO/LUSA

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