20 Abr, 2021

Taxa de mortalidade materna é a mais alta dos últimos 30 anos

Gravidezes tardias e partos fora do hospital podem justificar os números, que os especialistas consideram graves

A taxa de mortalidade por complicações na gravidez, parto e puerpério (até 42 dias após o parto) registada em 2018 e 2019 não era tão elevada há mais de 30 anos. Nestes dois anos, ocorreram 17,2 mortes de grávidas em 2018 e 12,7 mortes em 2019 por cada cem mil nascimentos, o que supera os valores registados em 1990 (10,3).

Em valores absolutos, morreram, nestes dois anos, 27 mulheres nestas circunstâncias (15 em 2018 e 12 em 2019). Desde 2015, já morreram 48 mulheres em Portugal na sequência deste tipo de complicações.

“É um assunto da maior gravidade, que, logo controladas as questões da pandemia covid-19, deverá voltar para a primeira linha das nossas preocupações”, declarou, ao Jornal de Notícias, o presidente do Colégio de Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos, João Bernardes.

Sobre as causas que poderão explicar estes números, o médico afirma que as razões “são semelhantes às apontadas para o aumento das taxas de cesarianas – gravidezes tardias, com aumento de patologia associada, gravidez gemelar – para além das cesarianas em si mesmas”. No entanto, os dados revelam que a maior percentagem destas mortes, nestes dois últimos anos, foi registada em mulheres entre os 25 e os 34 anos, estando a faixa etária dos 35 aos 44 em segundo lugar.

Neste sentido, João Bernardes reforça, ainda, a sua preocupação relativa aos partos que ocorrem em casa ou fora do âmbito hospitalar, uma vez que esta é “uma tendência que se repete ao longo dos anos e que corresponde a uma mortalidade cerca de 25 vezes superior à do parto hospitalar”. Assim, o especialista espera, no futuro, “assistir a campanhas do parto ao domicílio”.

SO

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