18 Fev, 2021

Subdiretor-geral da saúde diz que a testagem não pode ser feita “à toa”

"A testagem tem de ser bem pensada, a testagem pode ser prejudicial, a testagem tem de saber ler", enfatizou Rui Portugal.

O subdiretor-geral da saúde, Rui Portugal, defendeu que a testagem à covid-19 deve ser feita em função das circunstâncias, não pode ser feita “à toa” e disse que o modelo não pode ser rígido.

Rui Portugal considerou que, tendo em vista o processo de desconfinamento, “a testagem pode ser uma boa forma, mas não uma testagem à toa”.

Ouvido hoje na Assembleia da República, na comissão eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença covid-19 e do processo de recuperação económica e social, na qualidade de ex-coordenador do Gabinete Regional de Intervenção para a Supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, Rui Portugal sublinhou que “a testagem tem de ser pensada em termos do que são as circunstâncias e os tipos de testes”.

O subdiretor-geral da saúde frisou que, em junho, os testes à disposição tinham características diferentes dos atuais “e muito provavelmente” diferentes dos que podem ser utilizados “daqui a um mês ou dois”. “A testagem tem de ser bem pensada, a testagem pode ser prejudicial, a testagem tem de saber ler”, enfatizou Rui Portugal.

O responsável é da opinião que a realização de testes sistemáticos a doentes “à posteriori” pode originar más práticas.

“Podemos estar a testar e inclusivamente a dar resultados positivos não ao vírus com viabilidade em termos de transmissão, mas ao vírus tipo partícula, e vamos reter pessoas durante meses, eventualmente até por exagero, só porque estamos a testar, sabendo nós que a história natural da doença nos diz e nos alinha relativamente a outras práticas”, realçou Rui Portugal.

Dando o exemplo da Eslováquia, o subdiretor-geral da saúde frisou que “as diferentes estratégias de testagem por vezes não têm os resultados pretendidos”, e salientou a importância de “testar bem para abrir mais a economia” e proteger a população.

“Não é necessário ter modelos rígidos, perdendo com isso boas práticas”, referiu Rui Portugal, acrescentando: “não é verdade que só há um modelo, o modelo é adaptativo e o modelo é relativamente ao país”.

Rui Portugal acentuou que deve ser reforçada nos grupos onde se regista elevada mortalidade, como lares ou unidades de cuidados continuados, mesmo após a vacinação, por a sua eficácia não ser total e os ensaios clínicos indicarem que a inoculação tem uma eficácia diferente nas várias faixas etárias.

O subdiretor-geral da saúde, que se manifestou “particularmente sensível às questões” relacionadas com o novo coronavírus, por ter perdido a mãe há dois meses, vítima da doença, sublinhou que a testagem, nomeadamente através de testes rápidos complementares, pode reduzir os riscos em algumas atividades profissionais.

“Parece-me que a testagem, com os novos métodos que temos, eventualmente os novos métodos que vamos ter, pode possibilitar a alguns tipos de grupos e atividades profissionais melhorar as questões de segurança relativamente àquilo que é a exposição em termos do vírus e potenciais surtos que possam existir nesses mesmos grupos”, salientou Rui Portugal.

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