31 Mai, 2023

Sociedade de Literacia em Saúde recomenda criação de Plano Nacional da Saúde da Mulher

No âmbito do Dia Internacional da Saúde da Mulher, que se assinala a 28 de maio, a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde deixou recomendações ao Governo sobre a necessidade de estudar uma orientação para os cuidados da saúde da mulher.

Sociedade de Literacia em Saúde recomenda criação de Plano Nacional da Saúde da Mulher

Mais conhecimento da população sobre a forma de ver a mulher, mais rastreios de saúde, melhor acesso digital à formação dos profissionais, maior promoção do apoio psicológico e maior audição de subgrupos, como migrantes e mulheres com deficiência. Estas são algumas das propostas da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), que pede ao Governo a criação de uma estratégia nacional para melhorar o acesso das mulheres aos cuidados de saúde. A presidente da sociedade científica acredita que “este plano deve reconhecer a importância da literacia em saúde e apresentar medidas precisas sobre acesso, prevenção, promoção e capacitação das mulheres”. 

A proposta vai ao encontro daquilo que já se faz noutros países: a adoção de uma orientação nacional que responda às necessidades da saúde feminina. Entre as propostas, a SPLS defende um foco na saúde holística da mulher integrada num determinado contexto, na saúde reprodutiva e planeamento familiar, na prevenção e rastreio de doenças, como as infeções sexualmente transmissíveis (IST), e no investimento em pesquisas científicas para melhorar a compreensão das questões de saúde específicas das mulheres.  

Cristina Vaz de Almeida, presidente da SPLS, recorda que, em Portugal, “apenas 22% das mulheres afirmaram ter feito um exame para detetar qualquer tipo de IST, de acordo com o Índice Mundial da Saúde das Mulheres de 2022”. Além disso, relembrando um relatório do Instituto Europeu para a Igualdade de Género de 2021, diz que “a saúde das mulheres portuguesas é pior do que a dos homens: têm mais dificuldade em pagar despesas de saúde mental e dentárias e vivem menos tempo com qualidade de vida depois dos 65 anos”.  

O plano deve também dar destaque à implementação de estratégias para a promoção da saúde mental, focando-se na prevenção, deteção e tratamento de condições como depressão, ansiedade e violência doméstica. Atualmente, os transtornos alimentares figuram na lista de doenças psiquiátricas com maior prevalência em indivíduos do sexo feminino.  

A sociedade científica defende ainda que é fundamental olhar para as mulheres em situação de vulnerabilidade, como idosas, reclusas e vítimas de violência de género. “É necessário que consigamos responder a todos os pedidos de ajuda, principalmente dos grupos que, perante as suas vulnerabilidades, tendem a esconder-se mais ou recusam pedir ajuda por vergonha ou receio”. Cristina Vaz de Almeida afirma que o diploma deve também deixar claro a responsabilidade das instituições de saúde em dar uma resposta assertiva e inclusiva aos membros da comunidade LGBTQI+, como mulheres transgéneras.  

Saúde materna e acesso das mulheres aos lugares de topo na saúde são outras das preocupações da associação. Para já, a SPLS recomenda a criação de um grupo de trabalho que possa estudar e analisar estas e outras propostas. “Uma estratégia nacional de saúde da mulher é importante para garantir que as mulheres recebam cuidados de saúde abrangentes, específicos e acessíveis, promovendo a sua saúde e bem-estar. É preciso olhar para a mulher de uma forma holística, na sua total liberdade e igualdade”, conclui. 

 

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