11 Mar, 2020

SNS24 não atendeu 60% das chamadas na segunda-feira. DGS garante melhorias

A diretora-geral de Saúde admite que a linha atingiu “picos nunca esperados” de procura, mas adiantou que a capacidade de atendimento de chamadas em simultâneo mais do que duplicou.

“Durante esta noite e nos últimos dias já houve melhorias. Habitualmente nós conseguimos 200 chamadas em simultâneo na linha SNS24. Depois ontem conseguimos atender 500 chamadas em simultâneo e depois hoje já se conseguiu atender 1.200 chamadas em simultâneo, sendo de que modo algum isto não é uniforme nas 24 horas do dia”.

“[…] Portanto, quer dizer que estão a ser feitos grandes esforços”, disse Graça Freitas durante uma audição na comissão parlamentar de saúde.

“É um facto que nós estávamos dimensionados para um determinado padrão de procura e que atingimos picos nunca esperados atingir”, reconheceu Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde adiantou que num único dia, na segunda-feira (dia 9), a linha SNS24 recebeu 27.679 chamadas e conseguiu dar resposta a 10.940, acima das 10 mil a que está obrigada por contrato, mas ainda assim a apenas 40% das chamadas que foram feitas. Outras 60% ficaram por atender.

 

Novo algoritmo melhora triagem no atendimento

 

Graça Freitas justifica o número limitado de capacidade da linha com exigências burocráticas que desvalorizou, dizendo que o mais importante é “agilizar procedimentos” e que “depois logo se vê as questões contratuais”.

“O novo algoritmo vai permitir a segregação de filas e a implementação de prioridade para triagens de Covid-19 e triagem geral. O grande apelo é que as pessoas que só precisam de informação vão ao digital e a outros canais obter informação e que a linha fique para triar”, disse Graça Freitas.

O objetivo é ter um algoritmo que permita uma despistagem mais rápida na confirmação de casos de Covid-19, mas a diretora-geral alertou que é preciso “muito cuidado” com a forma como se fazem as alterações, porque “não se podem fazer algoritmos sem ciência”.

Tem que ser testado por clínicos, por médicos, tudo isto tem os seus timings, a segurança é muito importante. […] Sei que temos que melhorar. Para mudar o algoritmo temos que consultar os médicos e muita literatura”, disse Graça Freitas.

 

Linha de apoio ao médicos atingiu mais de mil chamadas

 

Esta linha vai ser reforçada com enfermeiros nos próximos dias, adiantou Graça Freitas, acrescentando depois que a linha de apoio ao médico também vai ser reforçada com médicos reformados que se voluntariam para o efeito.

“Esta linha enquanto for necessária vai ser reforçada”, disse, precisando que na segunda-feira a linha de apoio ao médico atendeu 1.055 chamadas.

“Atender 1.055 chamadas foi muito. Obviamente, não posso deixar de dizer, 200 ficaram por atender. Estas 200 correspondem a pessoas que estavam estáveis”, acrescentou.

Graça Freitas garantiu ainda que o funcionamento da linha vai ser melhorado, aliviando o peso em cima dos médicos que validam casos suspeitos de Covid-19, aos quais cabe ativar o INEM, os laboratórios, os delegados de saúde e os hospitais para onde são encaminhados os doentes, todo um processo que ocupa tempo e impede que sejam atendidas mais chamadas, explicou.

SO/LUSA

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