Sindicato alerta para aumento da mortalidade infantil e materna nas regiões com falta de médicos
Perante o aumento da mortalidade infantil, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul defende uma intervenção urgente do Governo para garantir o funcionamento dos serviços, com a contratação e valorização dos profissionais de saúde.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) alertou esta quarta-feira para o agravamento da mortalidade infantil e materna em 2024 nos distritos mais afetados pela escassez de médicos, prevendo que a situação possa piorar já em 2025 e 2026. Em comunicado, a estrutura sindical — que integra a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) — atribui esta tendência ao encerramento generalizado de serviços de Ginecologia-Obstetrícia, ao aumento de partos realizados em ambulâncias ou fora de contexto hospitalar adequado e à insuficiente resposta nos cuidados de saúde primários e na pediatria.
Dados recentes da Direção-Geral da Saúde indicam um crescimento da mortalidade fetal — que inclui óbitos de fetos com idade gestacional igual ou superior a 22 semanas — de 325 casos em 2022 para 340 em 2023 e 346 em 2024. Já a mortalidade infantil, que tinha descido de 229 óbitos em 2022 para 218 em 2023, voltou a subir para 257 mortes em 2024.
O sindicato sublinha ainda a existência de fortes disparidades regionais, com os piores indicadores a registarem-se nas zonas com maior carência de profissionais de saúde, sobretudo na região Sul. Entre as áreas mais afetadas destacam-se as Unidades Locais de Saúde da Amadora-Sintra, do Alentejo e da Península de Setúbal.
Segundo o SMZS, estas regiões são também aquelas onde se verificam maiores dificuldades no acesso aos cuidados de saúde por parte de mulheres e crianças, devido ao encerramento de maternidades e à falta de médicos de família.
Perante este cenário, o sindicato defende uma intervenção urgente do Governo para garantir o funcionamento dos serviços, com a contratação e valorização dos profissionais de saúde. Caso contrário, alerta, “poderá consolidar-se um modelo em que o setor privado se torne a única resposta em algumas zonas do país, sem assegurar cobertura universal nem responder às necessidades de todas as mulheres e crianças”.
SO/LUSA
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