A Liga Portuguesa Contra a SIDA (LPCS) assinala 30 anos de existência com uma nova campanha para combater a discriminação que ainda persiste sobre as pessoas com VIH e SIDA, segundo a presidente da instituição, Maria Eugénia Saraiva.

O estigma social existe”, afirma Maria Eugénia Saraiva, para quem “o vírus social continua a sobrepor-se”, tornando ainda hoje a discriminação “um obstáculo” para todos os que são afetados pela doença. “Por isso, queremos falar da discriminação que ainda hoje se sente com o objetivo de derrubar o preconceito e provar que há vida para lá da infeção”, frisa, notando: “Trata-se de uma campanha direcionada para derrubar a discriminação e o estigma”.

Em entrevista à Lusa, a líder da LPCS realça as três décadas de trabalho como “um marco” que une profissionais, voluntários e utentes.

 

LPCS ajuda mais de 350 famílias por ano

 

“Foram muitas as pessoas que passaram pelos nossos serviços. Não são contabilizadas em 30 anos, porque os serviços foram crescendo e não se consegue contabilizar o número de pessoas e famílias que conseguimos abranger. Sabemos hoje que os nossos centros de atendimento e apoio integrado, em Lisboa, Loures e Odivelas, abrangem mais de 350 famílias por ano. São números importantes, mas, mais do que os números, importamo-nos com as pessoas”, salienta.

“Queremos aproximarmo-nos de um público que, felizmente, não viveu o que nós vivemos, uma geração futura que nem sempre tem conhecimento do VIH e da SIDA”, evidencia a presidente da organização sem fins lucrativos, enfatizando: “Não podemos deixar cair da agenda pública o VIH. Embora hoje estejamos a viver uma pandemia de covid-19, na realidade, não podemos esquecer que existem outras infeções e outras doenças”, sustenta.

Temos de ter soluções para as pessoas que vivem com outras infeções e temos de nos organizar com as pessoas que estão no terreno, a sociedade civil e os ‘pensadores’. Mais do que os custos, são os ganhos de saúde que importam”, afirma.

 

Horário da linha SOS Vida alargado

 

“Com o adiamento de consultas ou de realização de análises, a LPCS teve de alargar o horário da Linha SOS Vida. Houve também um aumento das necessidades de apoio social e psicológico; as pessoas responderam ao isolamento físico e esqueceram-se de que o isolamento social é diferente. As imensas chamadas que surgiram com dúvidas em relação ao VIH e à covid-19 serviram, muitas vezes, apenas para falar com a psicóloga e para desabafar”, acrescenta.

De acordo com Maria Eugénia Saraiva, os tratamentos para o VIH-SIDA evoluíram muito e já permitem “uma vida igual a qualquer pessoa que não seja infetada” pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), com natural impacto “crescente” na qualidade de vida dos doentes. Do mesmo modo, defende que “com os cuidados adequados” e a medicação mais avançada (como a PrEP e a PPE) é possível reduzir significativamente o risco de contágio.

Com um agradecimento a todos os “voluntários, colaboradores, profissionais de saúde e utentes que viveram e fizeram viver” a LPCS, a presidente da instituição parte da evolução da doença em Portugal nos últimos 30 anos para concluir que a “prevenção – que é ainda hoje o mote – é também um tratamento” com sucesso.

SO/LUSA

ler mais