Ortopedista e Diretor do Grupo Clínicas Espregueira - FIFA Medical Centre of Excellence

Sequelas da covid-19 e o processo de reabilitação

A infeção de SARS-CoV-2 tem um espectro largo de apresentações, dos ligeiros e passageiros, à doença grave com afeção de vários sistemas (respiratório, cardiovascular, urinário, etc.) e internamento, inclusive em cuidados intensivos ou mesmo à morte.

As pessoas com internamentos longos experimentam consequências graves das quais resultam, em parte, a privação da mobilidade. Por isso, é recomendável e determinante reabilitar para recuperar a condição física, promover o recondicionamento cardiorrespiratório, gerir e ultrapassar sequelas psicossociais e retomar uma participação plena em sociedade.

As pessoas que desenvolveram doença grave tendem a apresentar disfunção respiratória e neuromuscular mesmo após a alta hospitalar e, como tal, devem procurar um contexto clínico para se reabilitarem, fruindo da segurança e eficácia do tratamento de fisioterapia e de acompanhamento médico. Para além dos doentes com hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca congestiva, miocardite, trombose venosa profunda ou outras doenças, condições que podem ameaçar a própria vida, é também determinante para os que “só” apresentam sequelas neuromusculares (e.g. atrofia muscular e falta de controlo nos movimentos) e falta de resistência (por vezes nem conseguem subir as escadas de casa ou ir ao supermercado a pé sem paragens), procurar ajuda para integrar e cumprir um plano de reabilitação.  Ao redigir este texto, recordamos pessoas que, em 2 meses, passaram da incapacidade de percorrer o quarteirão em que vivem, à felicidade de retomar a prática do ténis. Isto só é possível através de programas de reabilitação liderados por profissionais. Pessoas em condição de pós-internamento por covid-19 que não se reabilitam, note que também se aplica a outras doenças, podem não só tardar largos meses ou anos a recuperar como, a condição de fragilidade pode persistir e até precipitar o surgimento de comorbidades, isto é, provocar outras doenças e eventuais sequelas incapacitantes.

A reabilitação deve ser individualizada em função da história clínica, avaliação individual e dirigida a vários sistemas, tendo particular importância a cardiorrespiratória e músculo-esquelética. O trabalho de equipa e interdisciplinar é determinante para oferecer o melhor tratamento, com a maior segurança e com a maior probabilidade de sucesso. O objetivo principal é alcançar todo o potencial de reabilitação, mitigando ou suprimindo sequelas.

As pessoas devem ter acesso à reabilitação e conhecer os seus benefícios e é uma questão de humanidade tratar com base em premissas de segurança e eficácia. Para viver com qualidade e retomar a participação familiar e social plena, é determinante reabilitar.

Assim mesmo, a procura de ajuda junto do seu fisioterapeuta e/ou do seu médico é recomendada.

 

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