10 Set, 2020

Segunda vaga de Covid-19 deixará 214 mil cirurgias por fazer

Simulação feita com base no que aconteceu entre março e maio indica que 2020 irá terminar com uma redução de 12 milhões de consultas, caso a atividade programada seja novamente suspensa.

Uma simulação feita com base no período em que a atividade não urgente nos hospitais e centros de saúde foi suspensa, indica que uma segunda vaga de Covid-19 pode vir a ter um efeito avassalador na saúde dos portugueses, avança o Jornal de Notícias.

Os números, avançados pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) em conjunto com a Ordem dos Médicos (OM), indicam que o país irá chegar ao final deste ano com uma redução de 12 milhões de consultas e de 214 mil cirurgias, face ao ano anterior.

Caso se volte a restringir o acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), o ano terminará com menos 10 milhões de consultas nos cuidados primários e menos 2,3 milhões de consultas hospitalares. Para o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, estes números “são avassaladores” e significam que o foco tem de ser em “salvar vidas.”

O impacto da primeira vaga de Covid-19 resultou em menos 4,6 milhões de consultas presenciais e menos 1,9 milhões de consultas de enfermagem. Já nos hospitais, realizaram-se menos 998 mil consultas externas, com 37% realizadas depois do prazo recomendado. Apesar de um aumento significativo das consultas por telemedicina de 40%, este aumento não foi suficiente para atender às necessidades dos utentes.

 

Milhões de exames de diagnóstico e terapêutica ficaram por fazer

 

Durante o mesmo período, foram ainda muitos os exames de diagnóstico e terapêutica que ficaram por realizar – 16,9 milhões – com destaque para os exames de Medicina Física e de Reabilitação (menos 7,8 milhões) e as Análises Clínicas (menos 7,2 milhões).

Foram ainda muitos os rastreios oncológicos que ficaram pendentes, com menos 26 mil mulheres com mamografia nos últimos dois anos. Há ainda menos 26 mil utentes inscritos para o rastreio do cancro do cólon e do reto. Em declarações ao JN, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Rodrigues, refere que “em termos de rastreio do cancro da mama, calculamos que estão a ser adiados 80 diagnósticos por mês.”

Para o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, os cuidados que se perderam este ano “não são recuperáveis e perdem-se oportunidades terapêuticas. Falta liderança e um plano de ataque ao problema.”

AR/JN

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