7 Mar, 2018

Projeto sobre imunoterapia para doentes com cancro do pâncreas distinguido em Portugal

O prémio 'FAZ Ciência' distingue o melhor projeto de investigação translacional em Imuno-Oncologia desenvolvido em Portugal, e traduz-se numa bolsa de 35 mil euros, que foi entregue ontem, em Lisboa.

O projeto ‘Tornar a imunoterapia uma realidade para doentes com cancro do pâncreas’ foi o escolhido como vencedor do prémio ‘FAZ Ciência’ 2018, uma iniciativa da Fundação AstraZeneca (FAZ) e da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO).

O prognóstico do adenocarcinoma ductal pancreático é, segundo os investigadores, “sombrio”, tendo uma elevada taxa de mortalidade. Para os doentes, as opções terapêuticas são limitadas e a sobrevivência não sofreu grandes alterações nos últimos 40 anos, isto apesar da promessa da terapia direcionada e da imunoterapia, que acabou por não se concretizar. Para a equipa de Sónia Melo, os exossomas (nano vesículas produzidas por todas as células do corpo humano) libertados pelas células de cancro contribuem para reprogramar o microambiente do tumor, tornando-o insensível à imunoterapia.

Para alterar esta situação, propõe-se, “usando modelos pré-clínicos”, visar os exossomas do cancro, tornando o tumor suscetível à imunoterapia “e, desta forma, abrindo a possibilidade a uma nova estratégia terapêutica com grande potencial para melhorar a sobrevivência dos doentes”. O trabalho é, reconhecem os investigadores nele envolvidos, “ambicioso”, mas concretizável, contando com o apoio do Departamento de Gastrenterologia do Hospital de São João, no Porto.

Foram 20 os projetos candidatos ao prémio ‘FAZ Ciência’ 2018, que foram avaliados por uma Comissão de Avaliação composta por cinco reconhecidos especialistas nacionais na área da Imuno-Oncologia.

Um prémio, que segundo Paulo Cortes, presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Oncologia, é tanto mais importante uma vez que a área da Imuno-Oncologia tem vindo a afirmar-se como uma promessa, capaz de revolucionar o tratamento das doenças oncológicas.

Jesús Ponce, presidente da Fundação AstraZeneca, acredita que o futuro da medicina passa pela inovação, pela busca do desconhecido, na procura de soluções inovadoras no diagnóstico e tratamento de necessidades médicas não preenchidas, com potencial para mudar as vidas dos doentes.

LUSA/SO

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