Projeto oncológico português fica entre os finalistas dos prémios europeus Regiostars 2026
O Porto Comprehensive Cancer Centre – TeamUp4Cancer, que desenvolveu o primeiro programa de Oncologia de precisão em Portugal, esteve entre os finalistas dos prémios europeus Regiostars 2026. O projeto português concorria na categoria "Uma Europa competitiva e inteligente", que acabou por ser conquistada por uma iniciativa eslovaca de inteligência artificial.

O Porto Comprehensive Cancer Centre – TeamUp4Cancer, desenvolvido pelo Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto) e pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, foi um dos 25 finalistas dos prémios Regiostars 2026, cujos vencedores foram anunciados esta quarta-feira, 14 de outubro, numa cerimónia realizada em Bruxelas, no âmbito da Semana Europeia das Regiões e dos Municípios.
O projeto português, centrado na aproximação da investigação científica aos doentes oncológicos, concorria na categoria “Uma Europa competitiva e inteligente”, que distinguiu o projeto eslovaco “AI Holopresence”, desenvolvido pela empresa Matsuko.
A iniciativa vencedora recorre à inteligência artificial generativa para criar representações humanas tridimensionais fotorrealistas, permitindo a realização de reuniões imersivas em realidade alargada. A tecnologia tem aplicações na formação industrial, na educação e na colaboração à distância, tendo já resultado em três pedidos de patente e num produto pronto para comercialização.
O TeamUp4Cancer foi o único projeto exclusivamente português e da área da saúde a chegar à fase final dos prémios, que este ano receberam um número recorde de 274 candidaturas, das quais foram selecionados 25 finalistas, distribuídos por cinco categorias.
Criado em 2011, o projeto do IPO Porto e do i3S permitiu desenvolver o primeiro programa de oncologia de precisão em Portugal, proporcionando a mais de 1.700 doentes acesso a métodos de diagnóstico avançados e possibilitando a participação de centenas de pessoas em ensaios clínicos, incluindo estudos em fases iniciais.
A iniciativa contribuiu ainda para a fixação de 33 profissionais e contou com um investimento de aproximadamente 17 milhões de euros, financiado por fundos comunitários e coordenado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
Segundo Júlio Oliveira, do IPO Porto, este financiamento “possibilitou a criação do primeiro programa de medicina de precisão em oncologia em Portugal” e “permitiu também a criação do maior espaço dedicado à investigação clínica em oncologia no país”.
Para o responsável, a presença entre os finalistas dos Regiostars representa, “acima de tudo, o reconhecimento de um trabalho bem feito” e da dedicação dos investigadores, médicos, enfermeiros e restantes profissionais de saúde envolvidos.
Júlio Oliveira destacou igualmente o facto de o TeamUp4Cancer ter sido o único projeto da área da saúde entre os finalistas, numa edição que incluiu iniciativas relacionadas com inteligência artificial, hologramas e novas técnicas de produção alimentar.
Além do projeto oncológico, Portugal esteve também representado nos Regiostars 2026 através da iniciativa multinacional Atlantic on Bike – EuroVelo1, desenvolvida em parceria com França, Noruega, Reino Unido, Irlanda, Bélgica e Espanha.
Este projeto, que também não venceu na respetiva categoria, procurou promover um destino turístico europeu sustentável, tendo como base a rota ciclável de longa distância EuroVelo 1 – Atlantic Coast Route. Financiado pelo programa Interreg da Área Atlântica da União Europeia, contou com um orçamento de quase cinco milhões de euros.
LUSA/SO
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