2 Abr, 2020

Projetado hospital de campanha com 600 camas com pressão negativa

A Associação Empresarial de Portugal e a Ordem dos Médicos apresentaram ao Governo o projeto, que poderá custar até 12 milhões de euros.

Em comunicado, a AEP e a Ordem dos Médicos (OM) referem que o protocolo que celebraram, no âmbito do projeto SOS Coronavírus, pretende “identificar necessidades e avaliar as prioridades na aplicação dos recursos financeiros, infraestruturais materiais e humanos” de que a iniciativa precisa.

O projeto deste hospital de campanha é da autoria do arquiteto Ricardo Oliveira, do gabinete RSO, indica a nota.

“A ideia é que o hospital seja modular, isto é, que veja a sua capacidade aumentar em função das necessidades da pandemia”, explica o bastonário da OM, citado no comunicado, explicando que na primeira fase seriam disponibilizadas 48 camas e que a capacidade pode ser estendida até às 624 camas.

Miguel Guimarães destaca ainda a particularidade deste projeto: “Todos os doentes são tratados em enfermarias de pressão negativa e com acesso a equipamentos que permitem dar resposta a casos com alguma complexidade”.

Nos espaços com pressão de ar negativa, o sistema de ventilação faz uma renovação de ar permanente e a pressão é mais baixa, o que evita que o vírus saia e contamine mais pessoas, sendo também benéfico em termos de recuperação pulmonar, explica a nota.

Em declarações à Lusa, o presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, garantiu que este hospital será, caso venha a ser necessário, instalado a Norte do país no local que o Ministério da Saúde “solicitar”. “Disponibilizaremos as instalações que o Ministério da Saúde entender que sejam as mais adequadas para este projeto”, sublinhou.

Luís Miguel Ribeiro adiantou que, na capacidade máxima de 624 camas, este hospital poderá envolver um investimento de 10 a 12 milhões de euros.

O financiamento, que deverá ser assumido pelo Governo, poderá também implicar as empresas que queiram participar, quer através de donativos, quer através da doação de equipamentos e material, afirmou.

A associação assegurará a identificação e coordenação das empresas que possam associar-se e apoiar este projeto, que deverá ser liderado pelas autoridades de saúde e pela Ordem dos Médicos, disse.

O presidente da AEP esclareceu que este hospital é diferente e, por isso, complementar àquele que está a ser montado no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

Tendo enfermarias de pressão negativa, este hospital possibilita o tratamento de doentes “mais complexos” e com necessidades especificas, além de salvaguardar os profissionais de saúde, ressalvou.

A campanha SOS Coronavírus, uma iniciativa da AEP que teve início em 13 de março, tem também como objetivo a angariação de fundos, cujos montantes serão atribuídos atendendo às necessidades existentes no país, num processo articulado com a OM e auditado pela KBMG.

SO/LUSA

 

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