16 Jul, 2020

Presidente da SPO defende Via Verde para o Cancro

A Dr.ª Ana Raimundo, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), crê que a criação de uma via verde do cancro pode diminuir tempos de espera na resposta a doentes oncológicos.

O trabalho em rede pode ser vantajoso, especialmente quando se observam os efeitos colaterais da pandemia de COVID-19 no âmbito da Oncologia. Enquanto diretora clínica da CUF Oncologia, a representante da SPO vale-se dos números do hospital para induzir aquela que deverá ser uma realidade semelhante nas restantes instituições.

“Na primeira fase do confinamento – entre março e abril – tivemos uma redução muito drástica, de quase 80% de novos diagnósticos de cancro. Agora, observa-se uma recuperação”, assinala a Dr.ª Ana Raimundo. Não obstante a melhoria, os números continuam longe do cenário normal. De uma média de 80 diagnósticos oncológicos semanais, a especialista afirma que o valor médio está agora por cerca de metade, sendo que durante o período de 16 de março a 2 de maio entre os cancros menos diagnosticados estiveram os colorretais, os da mama e os da próstata.

Os atrasos no diagnóstico, potenciados pela pandemia, têm diversas causas. Entre elas, a oncologista refere o receio dos doentes em ir ao médico, dificuldades do sistema a nível e marcação de consultas nos centros de saúde e o maior espaçamento no agendamento, quer de consultas, quer de exames e cirurgias.

Assim, para recuperar os diagnósticos em atraso – processo que demorava cerca de um mês desde o início dos sintomas e “agora provavelmente demora dois meses ou mais” -, a Dr.ª Ana Raimundo acredita que a criação de uma via verde para o cancro pode ser uma boa estratégia para melhorar a resposta aos doentes oncológicos.Por detrás do alerta para os atrasos, há a preocupação de se poder vir a assistir “a médio/longo prazo – três, cinco anos – um agravamento das taxas de mortalidade por cancro”, explica.

 

Via Verde para o Cancro implica esforços, mas permite melhorar resposta

 

Em favor da criação da via verde para o cancro, a presidente da SPO argumenta que é um plano que permite ajudar na diminuição de tempos de espera entre a ida ao médico inicial, o diagnóstico e o início do tratamento. Todavia, defende que primeiro é necessário fazer um retrato de “quantas consultas, exames, diagnósticos deixaram de ser feitos, para depois se arranjarem as melhores soluções dentro dos recursos que se tem”.

Foi essa a experiência da CUF, onde houve uma organização por blocos de horas dedicados ao atendimento de casos suspeitos, como forma de otimizar todo o processo até ao diagnóstico. Admitindo que a articulação entre entre os vários hospitais, centralizando os recursos humanos (com potencial desvio temporário dos mesmos entre hospitais), exige um “trabalho imenso”, a Dr.ª Ana Raimundo sublinha o benefício e a necessidade desta medida, recordando as listas de espera que já existiam. “É por aí que se deveria caminhar. A ideia de uma via verde do cancro tem de ser feita para diagnósticos e tratamentos”, conclui.

SS/Público

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