15 Jan, 2021

Portugal estabilizou nos 10 mil casos/dia porque não há capacidade de testar mais

Especialistas temem que número real de infeções seja muito maior. Taxa de positividade aumentou para os 20% e capacidade de testagem está no limite.

Há vários dias (desde quarta-feira) que Portugal contabiliza mais de 10 mil casos diários de infeção por SARS-CoV-2. O planalto está a preocupar os especialistas, que sugerem que o número de casos só não está a subir mais porque não é possível alargar a capacidade de testagem, que já está no limite.

Assim sendo, o receio é o de que, neste momento, já se verifique uma grande diferença entre os casos detetados e as infeções reais, o que impede o controlo das cadeias de transmissão e não permite ao país ter uma visão real do avanço da pandemia.

Com a transmissão comunitária cada vez mais intensa, era expectável que o número de casos aumentasse nesta fase e não que estabilizasse, como explica o investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Carlos Antunes. “Com 60 mil testes como limite de testagem, este plateau de 10 mil casos pode ser artificial e tem a ver com um limite de testagem, que é a informação que também chega do terreno, e não com a real incidência. O vírus não pode, de uma semana para a outra, subir de 4 mil para 8 mil casos e ficar num planalto. Alguma coisa está a acontecer”, diz, em declarações ao jornal i. Ou seja, muitos infetados não estão a ser testados.

Um dos indicadores que gera preocupação é o da taxa de positividade. Neste momento, 20% dos testes realizados geram um resultado positivo, um valor muito elevado e que tem vindo aumentar de forma rápida – na semana passada, a taxa de positividade era de 15%. “Se quisermos baixar a positividade e apanhar mais casos, temos de aumentar a testagem”, avisa o especialista.

TC/SO

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