“Portugal ainda precisa de apostar muito na prevenção”

Esta é a conclusão da Abraço (Associação de Apoio a Pessoas com VIH/SIDA). Houve um maior registo de pessoas com doenças sexualmente transmissíveis, resultado da diminuição de distribuição de preservativos.

O presidente da Abraço, Gonçalo Lobo, afirma que Portugal “ainda precisa apostar muito na prevenção”. O aumento substancial dos casos de gonorreia, sífilis ou clamídia registados na plataforma de transparência do Ministério da Saúde, ontem noticiados pelo Jornal I, merecem “muita atenção”.

“O número de preservativos distribuídos tem vindo a diminuir. Portugal precisa, ainda, de apostar muito na prevenção, não só a curto prazo mas a longo prazo”, afirmou o responsável da associação para a prevenção e tratamento do VIH, em declarações aos jornalistas no Porto, à margem da assinatura de um consórcio para que esta seja a “Cidade sem Sida” até 2020.

Em 2018 foram notificados 976 casos de gonorreia, 996 casos de sífilis e 600 casos de Chlamydia trachomatis, o que comparativamente ao ano anterior (2017) significa um aumento de 48% de casos de Gonorreia e quase o dobro de casos de Chlamydia trachomatis (passaram de 342 para 600). No que toca à sífilis a subida é menos significativa do que nos anos anteriores: em 2017 foram notificados 922 casos, tendo-se registado um aumento de 8% dos casos em 2018. De acordo com o jornal português, a informação disponibilizada na plataforma mostra que a maioria dos casos são diagnosticados nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

O presidente da associação Abraço, relembra que os primeiros sintomas das DST aparecem passado pouco tempo depois da relação sexual desprotegida.

De acordo com a Direção Geral de Saúde (DGS), “a Divisão de Saúde Sexual, Reprodutiva, Infantil e Juvenil, bem como o Programa Nacional para a Infeção VIH e Sida, tem nas suas atividades de prevenção da doença e promoção da saúde investido na divulgação da utilização do preservativo como meio de proteção para as doenças sexualmente transmissíveis, estando também previsto o diagnóstico e tratamento, nomeadamente no caso da sífilis”.

No entanto, em 2018 foram distribuídos cerca de 170 mil preservativos femininos e quase 5 milhões preservativos masculinos, representando um investimento de cerca de 273 mil euros. Ainda assim, estes números ficam bastante “aquém do que se registava há dez anos, antes do corte das verbas” – em 2008 o número de preservativos distribuídos era de 7,4 milhões, número esse que diminui em 5 milhões no ano de 2012 -, sinaliza o Jornal I.

A DGS acredita que parte do aumento destes casos possa estar relacionado com os projetos que tem em curso.

“Através do Programa Nacional para a Infeção VIH e SIDA, da DGS, têm sido apoiados financeiramente projetos desenvolvidos por organizações de base comunitária que promovem o rastreio não só da infeção por VIH, VHB e VHC como também da sífilis, em contextos de proximidade junto de populações mais vulneráveis e em maior risco de contrair este tipo de infeções. Esta procura ativa das pessoas poderá contribuir para justificar o aumento do número de casos de sífilis. Igualmente, a associação GAT, através de um acordo com a ARSLVT, disponibiliza uma consulta de infeções sexualmente transmissíveis, no âmbito do CheckpointLx em Lisboa, para o rastreio de, entre outras, clamídia, gonorreia, aos homens que fazem sexo com homens”, explica a DGS – facto com o qual o presidente da Abraço, Gonçalo Lobo, concorda.

“É preciso apostar num sistema de vigilância que nos diga quantas pessoas têm infeção e como podemos ligá-las aos sistemas de saúde”, argumentou Gonçalo Lobo.

De acordo com o responsável da associação Abraço, é “a partir dos 25 anos” que “a população está mais vulnerável à ocorrência de novas infeções”, existindo ainda a preocupação acrescida de que as restantes Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) não têm uma conotação tão negativa, ou, por outras palavras, “não têm o mesmo estigma” que uma infeção por VIH, o que pode levar a que estas sejam “mais negligenciadas”.

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Erica Quaresma

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