11 Dez, 2019

Peritos sugerem que se crie um perfil clínico mais completo de cada doente

Ideia passa por desenvolver um perfil clínico mais claro de cada doente, juntando dados genómicos, de exames e da história clínica.

A proposta consta de um documento da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), em parceria com a Ordem dos Médicos, e que resulta da auscultação de várias pessoas do setor da saúde para a criação de uma estratégia nacional de medicina de precisão.

Uma das ideias é um projeto piloto que faça uma integração de vários dados do doente: dados clínicos, imagiologia médica e dados genómicos, bem como dados fornecidos pelos cidadãos através, por exemplo, de aparelhos de uso diário de medição de valores de saúde (‘wearables’), como os relógios ‘inteligentes’.

“O principal objetivo desta integração é captar a mais clara imagem do indivíduo, através de um perfil clínico enriquecido“, sugere a proposta de estratégia.

Estas bases de dados de qualidade e com perspetiva ao longo do tempo podem ser “oportunidades para a indústria, possibilitando desenvolvimento tecnológico e melhoria de cuidados de saúde”, justificam os peritos.

“É cada vez mais claro que o estado de saúde do cidadão é multifatorial, dependendo de diversas variáveis incluindo fatores genéticos, comportamentais e ambientais, que diferenciam e particularizam a sua doença”, refere o documento da APAH a que a Lusa teve acesso.

Em Inglaterra está atualmente a ser desenvolvido um sistema que combina dados clínicos anonimizados com inteligência artificial para tentar acelerar a descoberta de novos medicamentos.

Esta parceria entre universidades, empresas e o Serviço Nacional de Saúde britânico baseia-se num modelo que divide os benefícios financeiros entre as empresas e o sistema de saúde.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, considera que este tipo de parcerias são o caminho que Portugal devia começar a fazer para apostar na medicina de precisão.

Outro projeto piloto sugerido para ser aplicado no SNS em Portugal passa por definir modelos de financiamento adequados que promovam o acesso a terapias celulares, como no caso dos tratamentos inovadores para o linfoma.

O benefício desta ideia seria focar o financiamento no valor que é obtido com a inovação médica, aumentando o acesso a novas terapêuticas de modo sustentável para o sistema de saúde.

SO/LUSA

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