Pediatras nos centros de saúde podem ser solução para reorganizar assistência

Mais do que reorganizar urgências de pediatria nos hospitais, Portugal deve seguir o exemplo de Espanha e colocar pediatras nos centros de saúde, defende a Ordem dos Médicos.

A falta de pediatras na região de Lisboa e Vale do Tejo, nomeadamente no Hospital Garcia de Orta (cuja urgência já encerrou várias vezes este mês), já levou a Administração Regional de Saúde a equacionar a abertura rotativa das urgências pediátricas noturnas nesta zona.

A carência de pediatras tem provocado problemas também noutras zonas do país, como o Algarve. O Ministério da Saúde responde com o aumento do número de vagas. A medida é, muitas vezes, inconsequente: os lugares ficam vazios, isto é, não há candidatos.

Assim, e mais do que reorganizar as urgências pediátricas hospitalares nas grandes zonas urbanas, há quem defenda uma aposta nos cuidados de saúde primários. Ao jornal Público, o presidente do colégio de pediatria da Ordem dos Médicos defende que Portugal deve seguir o exemplo de Espanha, onde há pediatras nos centros de saúde há varios anos. São especialistas com formação hospitalar e dedicam-se em exclusivo à pediatria de ambulatório.

Jorge Amil Dias realça que não basta haver médicos de família a atender crianças nos centros de saúde porque a sua a formação pediátrica consiste em “um dois meses em serviço hospitalar da especialidade”. O médico insiste que é preciso uma reformulação da assistência pediátrica em Portugal, sob pena de a de falta de especialistas se agudizar. Muitos dos pediatras tem mais de 55 anos, o que os dispensa de fazer urgências.

Os cerca de mil pediatras que trabalham no SNS fizeram cerca de 400 mil horas extraordinárias em 2018. No entanto, a tutela viu-se, ainda assim, obrigada a contratar mais 82 mil horas a médicos tarefeiros para suprir as necessidades.

TC/SO

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