A Ordem dos Médicos (OM) abriu processos disciplinares a sete médicos do movimento “Médicos pela Verdade”, na sequência de várias denúncias que chegaram a este organismo, avança o jornal Público. Este grupo de médicos desvaloriza a gravidade da Covid-19 e se diz contra o uso generalizado de máscaras e de testes de diagnóstico PCR.

O grupo, que copia a estratégia de um grupo espanhol de desinformação sobre a covid, foi fundado em Agosto e junta médicos de várias especialidades (anestesiologia, Medicina do Trabalho, Medicina Geral e Familiar, Cirurgia, Ortopedia, Ginecologia ou Gastrenterologia) mas nenhum deles é da área da saúde pública ou de Infecciologia.

Perante os pedidos de informação, denúncias e queixas  relacionadas com clínicos que integram o movimento, a OM “decidiu compilar o dossier e remeteu-o para os conselhos disciplinares respetivos, para análise e efeitos tidos como convenientes”. Há pelo menos três queixas que desencadearam a ação da OM, duas referentes ao médico Gabriel Branco, director do serviço de Neurorradiologia do Hospital Egas Moniz e um dos fundadores do movimento Médicos pela Verdade, e outra referente ao mesmo médico e a mais seis elementos do grupo.

Gabriel Branco, director do serviço de Neurorradiologia do Hospital Egas Moniz

O médico Gabriel Branco critica a OM. “A Ordem dos Médicos não pediu nenhuma informação, não me ouviu e avançou diretamente com um processo disciplinar”. “Há uma perseguição a quem quer emitir a sua opinião de forma livre e documentada. Apenas manifestámos a nossa opinião, que discorda do discurso oficial”, sublinha Gabriel Branco, ouvido pelo Público.

O médico é acusado de promover a não utilização do uso de máscaras, à imagem do que defende o movimento. Na página da internet dos “Médicos pela Verdade”, o grupo diz que as medidas implementadas são exageradas, “com obrigatoriedade do uso de máscaras na população, sobretudo em crianças durante todo o tempo em que permanecem na escola, são altamente nocivas podendo levar a diversos sintomas de hipercapnia desde os mais ligeiros, cansaçosonolêncianáuseas até perda súbita de consciência e convulsões se houver uma predisposição epiléptica”.

Para além da contestação ao uso da máscara, o grupo “Médicos pela Verdade” alega que os testes PCR (através de zaragatoa no nariz e/ou garganta) não provam a presença do novo coronavírus e dizem também que não deve ser imposto o confinamento a pessoas assintomáticas – embora se saiba, através de estudos científicos, que estas transmitem o vírus.

O movimento alega que não se “justifica o exagero dos meios de comunicação social que insistem em realçar constantemente números cumulativos que não correspondem à realidade atual e que só servem para alimentar o medo e o pânico na população”. O grupo desvaloriza o impacto da infeção em grande parte da população: “Não negamos que se trata de uma virose respiratória com repercussões pulmonares que podem ser muito graves nos pacientes com imunidade deprimidadoenças pré-existentes ou idade muito avançada”.

TC/SO

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