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O Estado Actual da Informação sobre Infecção pelo VIH
Como é ainda possível?…

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Grupo Lusíadas Saúde
Director Geral da InfoCiência

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Todos os anos, nas proximidades do Dia Mundial da SIDA, se repetem as iniciativas e os inquéritos. No Verão, as campanhas sobre o preservativo inundam os media e os outdoors.

E no resto do ano?…

Como se pode combater uma doença infecciosa, actualmente controlável mas ainda não curável, com campanhas sazonais sem que se faça um investimento sério e sustentado no tempo na informação, na prevenção, na sensibilização?  

omo foi amplamente noticiado no início deste ano (Jornal “Expresso”, Jornal “Público”, entre outros), um estudo designado Vida sem Sida, desenvolvido pela Universidade de Lisboa e o projecto “Aventura Social” durante 2017, revela que mais de um quarto (27%) dos jovens portugueses ainda acredita ser possível a infecção pelo VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) pela partilha de um copo, prato ou talher que possam já ter sido usados por uma pessoa infectada. Doze em cada cem (12%) acreditam que essa infecção pode ocorrer pela tosse ou pelo espirrar de um doente infectado pelo VIH.

E cerca de 5% da população de jovens que respondeu a este inquérito acredita que a infecção pode ocorrer abraçando alguém infectado.

Por outro lado, esse estudo revela que somente 37,7% dos jovens utiliza sempre preservativo. Este dado é ainda mais espantoso quando o mesmo estudo mostra que cerca de 97% dos jovens portugueses entre os 18 e os 24 anos sabem que podem ficar infectados pelo VIH se tiverem relações sexuais desprotegidas, mesmo que seja só uma vez, e 94% sabem que uma pessoa pode parecer saudável e estar infectada. Ou seja, a informação existe mas a prudência não…

O público-alvo deste estudo englobou jovens com idades entre os 18 e os 24 anos, num total de 1.166, de todas as regiões do País e das ilhas. E foram detectadas importantes assimetrias, sendo os jovens dos Açores, da Madeira e da região Norte e os que não frequentam a universidade aqueles que revelaram maior desconhecimento em relação à doença e que se protegeram menos.

O estudo revelou ainda o modo como este desconhecimento gera estereotipos e preconceitos, tendo sido registadas respostas surpreendentes relativas à correlação entre a aparência de uma pessoa e a infecção pelo VIH bem como afirmações indicadoras de exclusão social ao se considerar que o doente com esta infecção não deveria poder frequentar os mesmos locais das pessoas não infectadas.

Se considerarmos que cerca de 33% dos infectados se situam na faixa etária entre os 15 e os 29 anos de idade e que cerca de 16% deles têm uma idade entre os 15 e os 24 anos, percebemos ainda melhor o impacto que este desconhecimento pode verdadeiramente ter.

Sabemos que o recurso ao preservativo tem vindo a diminuir nos últimos dez anos, provavelmente pelo facto da infecção pelo VIH ser agora considerada uma doença crónica e não letal, o que gera uma falsa sensação de segurança e de desvalorização da importância da protecção.

Outro dado muito relevante deste estudo é que 92% dos jovens não se recordam da última campanha ou mensagem de prevenção em relação ao VIH que viram ou ouviram e apenas 61% referem ter frequentado programas de educação para a prevenção da doença no ensino secundário.

O que pensar de tudo isto?

De acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Portugal ainda apresenta uma das mais elevadas taxas de infecção da União Europeia, embora o número de novos casos se tenha vindo a reduzir. O documento elaborado por esse Instituto  refere que se encontram registados, até 30 de junho de 2017, 56.001 casos de infecção por VIH. Em 2016 foram diagnosticados 1030 novos casos de infecção por VIH em Portugal*.

Em mais de metade dos novos casos (55%) verificados em 2016 o diagnóstico foi tardio, sendo essa proporção mais elevada (64%) nos casos em que a transmissão ocorreu por contacto heterossexual.

Mesmo assim, a informação apresenta lacunas tão chocantes quanto estas, existem importantes assimetrias geográficas e as mensagens não são retidas.

Já escrevi algo muito parecido há cerca de 15 anos e isso ainda é mais inquietante. No que se refere à infecção pelo VIH, Portugal não foi capaz de desenvolver e articular estratégias de informação que envolvessem e comprometessem o Estado, a Escola, a Comunicação Social de modo a criar um discurso contínuo, consistente e descomplicado sobre uma doença que, apesar de mais bem controlada, permanece sem cura.

As campanhas são avulso, centradas no Dia Mundial da SIDA e no Verão e não abordam o cerne da questão que, no meu entender, reside na forma como os jovens encaram a sexualidade e os afectos. Sempre defendi uma educação dos afectos e não uma educação sexual e, embora reconheça ser uma tarefa árdua e complexa, será sempre por aí que a prevenção poderá vingar.

Por outro lado, a informação sobre o vírus, as suas características, a sua taxa de replicação e de mutação, as suas formas de transmissão, são áreas que merecem uma abordagem sistematizada. Não são admissíveis os resultados deste inquérito. E o mesmo se aplica a outras áreas da saúde.

Com o acesso totalmente democratizado à internet e às redes sociais, torna-se muito mais simples informar, ensinar e sensibilizar.

Este conhecimento é essencial para a protecção individual, dos parceiros e, aspecto central, para afastar o preconceito e a discriminação.

Basta querer fazê-lo. Nem será caro. E, mesmo que fosse, teria de ser feito.

Tem de ser feito.

* Infeção VIH e SIDA: a situação em Portugal a 31 de dezembro de 2016, Departamento de Doenças Infeciosas. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Programa Nacional para a Infeção VIH, SIDA e Tuberculose. Direção-Geral da Saúde (colab.), disponível em http://repositorio.insa.pt/handle/10400.18/4846


Texto escrito na grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990, por decisão do autor.

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